Charles Messier

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Charles Messier
Charles Messier em 1770
Conhecido(a) por Catálogo Messier
Nascimento 2 de junho de 1730
Badonviller, França
Morte 12 de abril de 1817 (86 anos)
Paris, França
Nacionalidade França Francês
Prêmios Ordem Nacional da Legião de Honra
Instituições Royal Society, Academia Real das Ciências da Suécia, Académie des Sciences
Campo(s) Astronomia
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Charles Joseph Messier (Badonviller, 26 de junho de 1730Paris, 12 de abril de 1817) foi um astrônomo francês, notabilizado pela compilação e publicação de seu catálogo astronômico, uma lista de 110 objetos de céu profundo, como nebulosas e aglomerados estelares, objetos esses que vieram a ser conhecidos como os "objetos Messier".[1] O propósito desse catálogo era ajudar observadores e astrônomos ao listar objetos semelhantes a cometas em aparência, mas que eram fixos no céu. Assim, o catálogo de Messier permitia aos observadores e astrônomos a correta diferenciação de novos cometas, objetos de brilho fraco[nota 1] e transientes no céu, dos objetos fixos.

Originário de uma família rica, Messier tornou-se um observador do céu ao trabalhar para Joseph-Nicolas Delisle em seu observatório em Paris, aos 21 anos de idade. Foi o primeiro astrônomo a dedicar-se quase exclusivamente à procura de cometas e, enquanto aguardava a possível chegada do cometa Halley[nota 2], deparou-se com um falso positivo ao confundir uma nebulosa com o cometa. Para evitar novos enganos, Messier começou a compilar objetos fixos no céu profundo que tinham a aparência de um cometa de brilho fraco. De 1758 a 1782 Messier, com a ajuda de Pierre Méchain após 1774, compilou 107 objetos, como nebulosas, aglomerados estelares e galáxias.[nota 3] Outros três objetos foram adicionados ao catálogo após a morte de Messier, completando, assim, 110 objetos ao todo. Messier também registrou a passagem de 20 cometas,[2] sendo 13 descobertos por ele mesmo e outros 7 sendo co-descobertas independentes.[3][1] Também foi membro de várias academias científicas espalhadas pela Europa, como a Royal Society, da Inglaterra, e a académie des sciences, da França.

Em 1806, Messier recebeu de Napoleão Bonaparte a Ordem Nacional da Legião de Honra[4] e dedicou ao imperador francês o Grande Cometa de 1769, considerado "o último cometa astrologicamente apresentado ao público por um astrônomo ortodoxo".

Origem e juventude

Charles Messier nasceu em Badonviller,[3] atualmente no departamento de Meurthe-et-Moselle, Lorraine, à época pertecente ao Principado de Salm-Salm.[5] Era o décimo dos doze filhos de Nicolas Messier e de Francoise B. Grandblaise. À época, o Principado de Salm-Salm era um pequeno estado independente nas montanhas Vosges, encravado entre o Ducado de Lorraine e o Reino da França.[6]

Embora existam relatos de que Messier cresceu em condições humildes,[7] entretanto, acredita-se atualmente que Messier seja oriundo de uma família rica. Nicolas Messier servia na administação do Principado, incluindo serviços na corte de Salm-Salm, e a família residia em uma confortável casa em Badonviller. Seis de seus irmãos morreram jovens; Charles conhecia apenas cinco deles, sendo três mais velhos do que ele. Em 1741, quando Charles tinha 11 anos, seu pai morreu e seu irmão mais velho, Hyacinthe, à época com 24 anos, assumiu o controle de sua família. Hyacinthe servia como curador em Nancy e retornou em 1740 para assumir um cargo na administração do Principado. Àquela época, Charles havia sofrido um acidente: quebrou a perna na altura da coxa quando caiu da janela da casa da família enquanto brincava: foi socorrido e cuidado por um fazendeiro vizinho. Entretanto, Charles teve que sair da escola e seu irmão mais velho assumiu sua educação. Durante oito anos, Hyacinthe treinou-o em trabalhos metódicos e administrativos. Nessa época, Charles adquiriu um senso de observação preciso e talento para observar detalhes finos, que viria a ser importante para a sua carreira futura.[8]

Charles interessava-se por astronomia desde a infância e há evidências de que ele observava estrelas e fenômenos celestes desde muito cedo. Quando Charles tinha 14 anos, surgiu um grande cometa de seis caudas[9] (descoberto por Dirk Klinkenberg e estudado por Jean-Philippe de Chéseaux[10]). Seu interesse foi estimulado posteriormente por um eclipse solar anular que foi visível em Badonviller em 25 de julho de 1748.[2][3]

Em 1751, a França foi reorganizada e o principado de Salm-Salm cedeu Badonviller ao controle francês.[6] Hyacinthe Messier decidiu manter-se fiel ao Principado e decidiu deixar Badonviller e radicar-se em Senones. Charles, aos 21 anos, decidiu aventurar-se ao trabalho: um amigo de família indicou-lhe duas oportunidades de emprego em Paris,[11] sendo um como curador de um palácio e o outro como auxiliar de astrônomo. Hyacinthe, como representante de Charles, aceitou o segundo emprego para ele, pois a profissão, segundo a opinião do irmão mais velho, trazia vantagens e prospectos.[8] Em 23 de setembro daquele ano Charles deixou Badonville e foi a Paris, onde chegou nove dias depois. Foi empregado por um astrônomo da marinha francesa, Joseph-Nicolas Delisle, por causa de seu belo desenho.[12] Delisle deu a Messier abrigo em sua própria residência no Collège Royal de France. A primeira tarefa de Messier era copiar um mapa da Grande Muralha da China.[7][2][3][12]

Com Delisle em Paris

Paralelamente a essas atividades, Messier também começou a trabalhar no observatório de Delisle. Aprendeu a usar os intrumentos astronômicos e anotar cada detalhe de suas observações.[3] O observatório de Delisle foi fundado em 1748 após o seu retorno da Rússia, em uma torre do Hôtel de Clugny (atualmente Museu de Cluny), construído em 1480 sobre as ruínas de termas romanas do século IV, para os abades da ordem de Clugny e seus colegas. No século XVIII, o estabelecimento foi alugado para a adminsitração da Marinha Real Francesa.[13] A primeira observação registrada de Messier foi o trânsito de Mercúrio em 6 de maio de 1753. O próprio Delisle introduziu-o à astronomia elementar e convenceu-o sobre a utilidade das medições exatas das posições dos objetos em todas as suas observações, um dos principais motivos de sucesso de seu catálogo. Em 1754, Messier já trabalhava como gerente de depósito da Marinha Real.[2][3]

Primeiro cometa descoberto

Em 1757, Messier iniciou a procura pelo cometa Halley. Esperava-se que o cometa Halley retornasse em 1758, que, à época, não passava de especulação científica.[14][15] O próprio Delisle calculou uma próvável trajetória para o cometa[16] e Messier elaborou uma requintada carta estelar que incluia a trajetória provável do cometa.[3] Infelizmente, havia um erro nos cálculos de Delisle e Messier observava o céu nas posições erradas.[16] Entretanto, Messier descobriu outro cometa em 14 de agosto de 1758, que ele seguiu e observou cuidadosamente com telescópios até 2 de novembro daquele ano (De La Nux descobriu esse cometa - C/1758 K1 De La Nux - em 26 de maio de 1758).[10] Durante estas observações, Messier descobriu um objeto de aparência de um cometa com brilho fraco em 28 de agosto de 1758. Evidentemente, Messier descobriu que este objeto não se movia e que, na verdade, não se tratava de um cometa, mas sim de uma nebulosa.[17]

Messier mediu sua posição em 12 de setembro de 1758 e mais tarde o objeto se tornou a primeira entrada no seu famoso catálogo, Messier 1 ou M1 (este objeto acabou mais tarde sendo um dos objetos mais interessantes e vistos no céu profundo por astrônomos amadores, tratando-se do remanescente da supernova de 1054, comumente chamado de Nebulosa do Caranguejo.[17][15] A existência desse objeto levou Messier à procura de cometas com auxílio de telescópios, "inventando", assim, a caça de cometas, uma nova área da astronomia daquela época.[3] Messier também foi levado a compilar o seu catálogo de objetos nebulosos que poderiam ser confundidos com cometas como consequência.[2]

O cometa Halley foi finalmente redescoberto pelo astrônomo amador alemão Johann Georg Palitzsch (1723-1788) na noite de Natal de 1758.[18][19] Messier encontrou-o independentemente em 21 de janeiro de 1759, cerca de quatro semanas mais tarde, quando ele finalmente duvidou da exatidão da trajetória prevista por Delisle. O empregador de Messier, no entanto, não acreditou em sua própria falha e aconselhou Messier a continuar observando na direção previamente indicada, recusando-se a aceitar e anunciar a descoberta de Charles.[19] Messier, como empregado leal, declarou: "Era um empregado fiel de Delisle, vivia com ele em sua casa e conformei-me com sua ordem." Quando Delisle finalmente anunciou a descoberta de Messier, em 1 de abril de 1759, não lhe dado moções de confiança por parte de outros astrônomos franceses.[nota 4] Essa decepção e frustração foi ainda mais estimulante para o jovem Messier, então com 28 anos, dedicando sua vida profissional à caça de cometas. Esta devoção derivava, talvez, de uma frustração ainda maior, quando Delisle se recusou a publicar uma outra descoberta de Messier de um cometa no início de 1760.[19][16]

Delisle mudou sua atitude para com Messier, apoiando-o e deixando-o fazer seu próprio trabalho de observação. Parece também que, por causa de sua idade, Delisle começou a se afastar cada vez mais do trabalho como astrônomo. Messier registrou sua segunda "nebulosa", M2, descoberto anteriormente por Jean-Dominique Maraldi,[20] e inseriu-o em um mapa que mostrava também a trajetória do cometa Halley. Messier observou o trânsito de Vênus de 6 de junho de 1761 e a reaparição dos anéis de Saturno.[nota 5] Também observou o cometa de Klinkenberg de 1762 (C/1762 K1), entre maio e julho daquele ano, e em 28 de setembro de 1763 descobriu mais um cometa (C/1763 S1). Em 3 de janeiro de 1764, Messier descobriu outro cometa (C/1764 A1), que já apresentava 3 de magnitude aparente[nota 6] quando foi descoberto.[10][21] A primeira tentativa para entrar na académie royale des sciences em 1763 não obteve sucesso.[3]

Com a descoberta de mais uma "nebulosa", seu terceiro objeto (aglomerado globular M3)[22] e sua primeira descoberta original, Messier realizou um grande exame dos céus com o intuito de descobrir mais desses objetos, já que poderiam enganar com freqüência caçadores de cometa. Alternativamente, existe a possibilidade de que ele decidiu levar a cabo este empreendimento por outras razões, e M3 foi sua primeira descoberta nesse empreendimento. Foi nessa época que a obra de Guillaume Le Gentil sobre nebulosas iria ser impresso (ocorrendo, finalmente, em 1765)[23] e existia a possibilidade de Messier ter conhecimento sobre essa obra e talvez tenha sido influenciado por esta. Na sua busca por nebulosas, Charles Messier levou a cabo um exame profundo dos céus, tendo como resultado 19 descobertas originais em 1765, usando todos os catálogos compilados anteriormente por outros astrônomos que ele tinha acesso, como a lista de seis objetos de Edmond Halley,[24] o catálogo de William Derham, que por sua vez havia sido extraído principalmente do catálogo de estrelas de Johannes Hevelius, o Prodomus Astronomiae, que estava disponível em francês graças a Pierre Louis Maupertuis, além do Catálogo das Nebulosas do Sul, de Nicolas Louis de Lacaille, de 1755, bem como listas de Maraldi e Le Gentil, com algumas referências a De Chéseaux, provavelmente a partir do próprio Le Gentil. Messier catalogou os objetos M3 ao M40 nesse ano,[25] encontrando várias nebulosas inexistentes nos catálogos mais antigos (a compilação de objetos de seu catálogo a partir de outros catálogos explica porque a estrela dupla M40 foi listada por Messier).[26]

Naquela época, Messier comunicava-se com frequência em correspondência com astrônomos e outros acadêmicos da Grã-Bretanha, Alemanha e Rússia. Seu correspondente russo, Frederick La Harpe, estava em exílio na Suíça e era membro da académie des sciences. Além disso, em 21 de maio de 1764, Charles Messier foi selecionado como um membro da Academia de Harlem (Países Baixos) e em 6 de dezembro de 1764, foi eleito como membro estrangeiro da Royal Society em Londres. Em 1765, a academia de Auxerre e o Instituto de Bolonha fizeram o mesmo.[8][2][27]

Messier usou vários telescópios, tendo como telescópio favorito um refletor gregoriano, com distância focal de 113,28 cm e uma abertura de 26,55 cm. Isso era equivalente a um refrator de 854 cm de largura, com uma abertura efetiva de 12,39 cm, embora menos poderoso do que um telescópio newtoniano octogonal de 244 cm de largura, o qual havia pertenecido a Delisle e que foi sem dúvida o instrumento original no seu observatório no Hôtel de Clugny. Anos depois, Messier usou um telescópio acromático de 12,39 cm de abertura: àquela época telescópios acromáticos começavam a ser usados.[19]

Astrônomo oficial da Marinha Real Francesa

No início de 1765, Messier encontrou o aglomerado de estrelas M41 e, naquele ano, Delisle se aposentou. Charles continuou observando do observatório do Hôtel de Clugny. Entretanto, sua nomeação como astrônomo da Marinha Real Francesa ocorreu muito mais tarde, apenas em 1771. Em 8 de março de 1766, Messier descobriu um novo cometa, e co-descobriu mais um em 8 de abril daquele ano.[10] Em 1767, Messier, por anos o gerente de depósito da Marinha, tornando-se em 1771 um astrônomo da Marinha, participou da única viagem naval de sua vida, com o propósito de testar e regular alguns cronômetros marítimos novos, construídos pelo relojoeiro Julien Le Roy.[2] Ficou a bordo do navio L'Aurore por três meses e meio no Mar Báltico, junto com seu colega Alexander-Guy Pingré. Messier fez as observações astronômicas e Pingré os cálculos necessários. Durante sua ausência, entre 12 de maio e 1 de setembro de 1767, Jérôme Lalande continuou o programa de observação no Hôtel de Clugny.[3]

No início em 1769, Messier decidiu publicar sua primeira versão de seu catálogo em 4 de março de 1769 e, para ampliar o número de objetos, catalogou outros objetos bem conhecidos (como a Nebulosa de Órion (M42), a Nebulosa de Mairan (M43), o Aglomerado do Presépio (M44) e as Plêiades (M45)). Em 8 de agosto de 1769, Messier descobriu um novo cometa (C/1769 P1 (Messier), o grande cometa daquele ano):[10] ele enviou uma descrição e um mapa da descoberta desse cometa para o rei da Prússia, que ficou tão impressionado que, sob sua influência, Messier foi eleito membro da Academia das Ciências de Berlim em 14 de setembro daquele ano.[19] Em abril daquele mesmo ano, ele já havia sido selecionado como membro da Academia Real da Suécia, em Estocolmo.[8]

Finalmente, em 30 de junho de 1770, Messier foi eleito para a académie royale des sciences de Paris.[1][8][19] Isso ocorreu cerca de duas semanas depois de ter descoberto um outro cometa, em 14 de junho, que ficou conhecido como o cometa Lexell.[10][nota 7] Em 26 de novembro daquele ano, Charles Messier, com 40 anos de idade, casou-se com Marie-Françoise de Vermauchampt. Eles se conheciam há pelo menos 15 anos no Collège de France.[3]

Em 10 de jaeiro de 1771, Messier co-descobriu independentemente o grande cometa daquele ano.[10] Mais tarde, em 16 de fevereiro, Messier apresentou a primeira versão de seu catálogo de nebulosas e aglomerados de estrelas, com os primeiros 45 objetos, para a Académie royale des sciences, intitulado Catalogue des Nebuleuses et des amas d'Etoiles que l'on découvre parmi les Etoiles fixes, sur l'horizon de Paris.[19] Este foi sua primeira obra à Academia, seguido de um grande número de outras obras. Três noites após a apresentação de seu trabalho, Messier descobriu mais quatro objetos nebulosos, M46 a M49.[25] Para dois deles, M47 e M48, no entanto, ele não procedeu com o cuidado usual e cometeu erros so especificar a posição desses objetos; tais objetos ficaram perdidos até a sua identificação já no século XX. M49, aliás, foi a primeira galáxia no aglomerado de Virgem a ser descoberta. Em 1 de abril, Messier descobriu mais um cometa, o C/1771 G1 Messier,[10] seu 13º cometa em sua contagem própria, seu 12º descoberta de forma independente e a sétima descoberta original. Ainda naquele ano, em 7 de junho, Messier descobriu o M62,[25] mas dispunha apenas de uma medida aproximada de tal objeto, incluindo-o em seu catálogo não antes de 1779. Ainda em 1771, em 30 de setembro, Charles Messier finalmente e oficialmente tornou-se o "astrônomo da Marinha"[2] pelo Ministro da Marinha, de Boines, e foi concedido a ele o salário regular de 1 700 francos por ano (que foi aumentado em 1774 para 2 000 francos).[3]

Mortes de sua esposa e filho

Em 31 de outubro de 1771, Messier e sua esposa mudaram-se da residência de Delisle no Collège de France para um alojamento dentro do Hôtel de Clugny, onde situava-se o Observatório da Marinha. Em 15 de março de 1772, Madame Messier deu à luz um filho, batizado de Antoine-Charles Messier. Após o nascimento da criança, tanto Madame Messier quanto o menino morreram em um período de 11 dias, Madame Messier em 23 de março, e Antoine-Charles em 26 de março de 1772. Segundo um relato de Jean-François de la Harpe, escrito em 1801, a morte da esposa de Messier impediu-o de descobrir um outro cometa, que teria sido o seu décimo terceiro, e Messier teria ficado mais desesperado pela descoberta perdida do que pela morte de sua esposa (especialmente que esse cometa - 3D/Biela - foi descoberto por Jacques Leibax Montaigne, seu desafeto).[10] No entanto, isso não encontra apoio histórico: Montaigne já havia descoberto o cometa em 8 de março, uma semana antes de o filho de Messier nascer e, pelo que se conta, este não foi o 13º cometa de Messier (de acordo com a própria contagem de Messier, baseado em uma de suas obras).[3]

De qualquer forma, Messier observou o cometa em março daquele ano (mais especificamente entre 26 de março a 3 de abril de 1772). Em 5 de abril de 1772, Messier acrescentou um outro aglomerado estelar para sua lista, M50.[25] Mais tarde naquele ano, tirou três meses de férias em Lorraine, de setembro a novembro daquele ano. Na mesma época, Messier também foi eleito membro da Academia de Bruxelas (Bélgica) e a Academia Real da Hungria. A partir de então, a descoberta de novas nebulosas e aglomerados foi reduzido nos anos seguintes: em 10 de agosto de 1773, messier descobriu o segundo companheiro brilhante da "nebulosa" de Andrômeda, M110, mas devido a razões desconhecidas, ele não o catalogou.[25] Descobriu, também, mais um cometa em 13 outubro de 1773; esse foi encontrado quando ainda era "precariamente visível a olho nu" (4,5 de magnitude aparente).[18][nota 8] Messier encontrou mais dois objetos (M51 e M52) em 1774,[25] e observou o cometa daquele ano, descoberto por Montaigne.[10] Também em 1774, Pierre Méchain foi apresentado a Messier por Jérôme Lalande, o principal astrônomo francês à época, que, segundo o astrônomo e historiador da astronomia Owen Gingerich, conhecia Messier de tempos antigos.[28][19]

Até 1777, Messier não descobriu nenhuma outra nebulosa e nenhum outro cometa. Em fevereiro daquele ano, Messier catalogou M53[25] (esse aglomerado globular tinha sido descoberto dois anos antes por Johann Elert Bode). Também contribuiu para a hipótese duvidosa de um planeta dentro da órbita de Mercúrio, quando ele relatou vários pequenos corpos que atravessam o disco solar em 17 de junho de 1777. Ele acrescentou que os objetos observados podiam ser fenômenos atmosféricos, mas "provavelmente eram pequenos meteoritos".[29] Por recomendação de La Harpe, Messier foi nomeado para a Academia de São Petersburgo, na Rússia, em 9 de janeiro de 1777.[8][19] Em 1778, Messier encontrou mais duas nebulosas, M54, uma descoberta original, e M55, que havia sido relatado por Lacaille e que Messier havia procurado em vão desde 1764.[25][30]

Messier casaria-se de novo anos depois, mas não teve filhos. Sua segunda esposa veio a falecer em 1798.[25]

Com Pierre Méchain

Desde que Pierre Méchain começou a trabalhar no observatório de Messier, também começou a encontrar novos objetos para o catálogo. Em 1779, Messier co-descobriu o cometa C/1779 A1 em 19 de janeiro,[10] 13 dias após a descoberta original por Bode em 6 de janeiro. Após este cometa e até 19 de maio daquele ano, Messier observou outros seis objetos (M56 a M61). Quando o cometa que Messier passou pela constelação de Virgem e pelo aglomerado de galáxias de Virgem, que foi observado tanto por Messier quanto Johann Gottfried Koehler, de Dresden, e por Barnabus Oriani, de Milão. Koehler descobriu M59 e M60 em 11 de abril de 1779, mas negligenciou M58, que foi descoberto por Messier, quando ele de forma independente também descobriu os outros dois em 15 de abril. Oriani foi o primeiro a identificar M61 em 5 de maio de 1779; Messier achou o objeto no mesmo dia, mas confundiu-o com o cometa em 5, 6 e 11 de maio. Messier percebeu a sua natureza nebulosa, finalmente, em 11 de maio. Messier acabou definindo uma boa posição para M62, que tinha longamente descoberto em 1771.[25] M63 foi a primeira descoberta de Méchain (em 14 de junho de 1779), que tinha definitivamente começado a observar nessa época e, como Messier, focou na pesquisa e observação de cometas. Em janeiro de 1780, Messier encontrou M64 que havia sido descoberto anteriormente, em 1779, de forma independente, por Edward Pigott e Bode.[30]

Messier, por acaso, encontrou os objetos M65 e M66 em março de 1780.[28][25] O Almirante William Henry Smyth e mais tarde outros autores que provavelmente o seguiram, atribuiu a descoberta destes dois objetos para Méchain, provavelmente por engano, já que Messier não reconheceu uma descoberta anterior, diferentemente de seu costume em todas as ocasiões ocorridas anteriormente. Embora um cometa tivesse passado por entre essas galáxias no céu visível em 1773, Messier não as observou provavelmente porque o cometa tinha ofuscado-as. Talvez esta declaração causou a Smyth a conjectura de que não Messier, mas sim Méchain poderia ter encontrado tais objetos primeiro. Além disso, Messier não encontrou uma terceira galáxia, NGC 3628, de magnitude visual 9.5 (de menor brilho do que os outros dois), que formam um grupo triangular conspícuo: isto dá informações indiretas sobre o modesto poder de resolução de seus telescópios. Em abril de 1780, Messier descobriu mais dois objetos, M67 e M68, completando, assim, as suas observações da segunda versão do catálogo.[25] Esta versão continha os objetos até M68 e foi publicado em 1780 no almanaque francês connaissance des temps, para a edição de 1783. M67 havia sido descoberto anteriormente por Koehler, antes de 1779, e M68 foi novamente creditado erroneramente a Méchain pelo Almirante Smyth.[30]

Em maio de 1780, Messier se tornou membro da Sociedade Literária de Uppsala, na Suécia.[8] No final de agosto de 1780, Messier, juntamente com Méchain, empreendeu um grande esforço para catalogar mais nebulosas e aglomerados. Primeiramente Messier descobriu mais dois novos objetos, M69 e M70, descobertas essas que não se tornaram mais do que um apêndice do connaissance des temps de 1783.[30] Até o final do ano 1780, Messier havia descobertos objetos até M79 descobrindo um novo cometa (C/1780 U2, em 27 de outubro), tendo perdido outro logo em seguida, (C/1780 U1).[10] Em abril de 1781, a lista de nebulosas e aglomerados de estrelas tinha aumentado para 100.[25] Às pressas, mais três objetos foram observados por Méchain (M101 - M103), que foram adicionados ao catálogo sem a validação pessoal de Messier, com o intuito de deixar o catálogo pronto para a sua publicação final no connaissance des temps de 1784 (publicado em 1781).[25][31][19] Logo após a publicação, em 11 de maio de 1781, Messier acrescentou o objeto M104 à sua cópia pessoal do catálogo, bem como as posições dos objetos M102 e M103, até então indeterminados. Messier tinha anotado mais duas nebulosas, descoberto por Méchain e mencionadas no catálogo juntamente com M97, que agora são conhecidos como M108 e M109. Uma das descobertas de Méchain, ocorrida em março de 1781, M105, tinha sido esquecido e não foi incluido na versão final do catálogo. Méchain descobriu outro objeto nebuloso, M106, em julho daquele ano.[30][25] Méchain também descobriu seus primeiros dois cometas em 1781, em 28 de junho e 9 de outubro (C/1781 M1 e C/1781 T1, respectivamente).[10]

Enquanto isso, Friedrich Wilhelm (William) Herschel, que era naquele tempo um astrônomo (observador e confeccionador de telescópios) e organista em Bath, Inglaterra, tinha descoberto o planeta Urano em 13 de março daquele ano.[32] Messier, em 14 de abril, um dia depois de sua última sessão de observação para a compilação de seu catálogo, começou imediatamente a observá-lo. Ele escreveu a Herschel: "Isso te dá honra, pois é difícil reconhecê-lo e eu não posso conceber como você foi capaz de retornar várias vezes para esta estrela ou cometa, uma vez que era necessário observá-lo durante vários dias seguidos para perceber que o objeto tinha movimento próprio, uma vez que não tinha nenhuma das características habituais de um cometa." Ele passou suas observações a Bochard de Saron, à época presidente da Assembleia Francesa, que era um respeitado matemático e que foi um dos primeiros a expressar que Urano era um planeta e não um cometa, uma vez que seu periélio era muito grande (este resultado foi obtido em 8 de maio de 1781).[19] Ruđer Bošković, Lexell, Lalande e Méchain obtiveram o mesmo resultado e confirmaram que Urano estava orbitando o Sol além da órbita de Saturno. É bem possível que esta descoberta o impediu de realizar verificações complementares para esclarecer alguns dos mistérios em torno dos mais recentes objetos em seu catálogo.[3]

Acidente na fenda de gelo

Ainda naquele ano, em 6 de novembro, o trabalho de Messier, foi interrompido por um acidente terrível. Ao visitar o jardim de Monceau com seu amigo Saron, Messier inreressou-se por uma passagem que dava acesso a uma caverna, mas esta passagem dava acesso a uma gruta de gelo com 7,5 metros de profundidade. Messier caiu nessa gruta, quebrando uma perna, um braço, um pulso e duas costelas. Teve que ficar em repouso por mais de um ano, tendo liberação médica apenas em novembro do ano seguinte.[19] Nesse meio tempo, em abril de 1782, Méchain tinha descoberto outra "nebulosa", que finalmente tornou-se o último objeto Messier a ser descoberto, M107.[30][25] Além disso, em agosto de 1782, estimulado pelo catálogo de Messier, William Herschel, assistido por sua irmã Caroline, começou a observar objetos do céu profundo. Herschel tinha uma cópia do catálogo de Messier em 7 de dezembro de 1781, de seu amigo, o eminente cientista William Watson. Em 7 de setembro de 1782, William Herschel fez sua primeira descoberta original de um objeto do céu profundo, a Nebulosa Saturno (NGC 7009), e em outubro de 1783, depois de algumas pesquisas e técnicas eficientes de observação, Herschel começou sua extensa pesquisa do céu profundo a partir da Inglaterra (ou seja, o céu do Norte) e catalogou mais 1 000 objetos do céu profundo até 1786, e um total de mais de 2 500 até 1802 (no entanto, alguns deles não existem e alguns outros tinham sido descobertos anteriormente).[26]

De volta ao trabalho

Três dias depois de sua recuperação, em 9 de novembro de 1782, Charles Messier observou um novo trânsito de Mercúrio.[19] Em 6 de maio de 1783, Pierre Méchain escreveu uma importante carta para Johann III Bernoulli, da Academia de Berlim, que foi publicado por Bode no Berliner Astronomisches Jahrbuch de 1786, juntamente com a tradução do catálogo de Messier. Nesta carta, entre outros, ele comunicou os últimos três objetos descobertos por ele (agora M105-M107).[25] Ele também nega a descoberta do M102, iniciando assim uma polêmica ainda em aberto sobre a identificação do objeto (ou seja, se ele duplica M101, como Méchain reinvidica, ou o objeto pode ser identificado como o NGC 5866, que corresponde a sua descrição, ou até mesmo um erro reconstituível na redução de dados - segundo a posição escrita por Messier).[25]

Messier retomou suas observações, assíduas como antes, mais uma vez concentrando-se em cometas. Parece ter usado, também, a sua cópia pessoal do seu catálogo por vários anos, mas aparentemente não investiu grandes esforços em novas tentativas de encontrar novos objetos nebulosos e não trabalhou muito para melhorar ainda mais o catálogo. Isto se deve, talvez, porque ele sabia da pesquisa de Herschel e, como ele não poderia competir em instrumentação, pode ter perdido o interesse. Messier provavelmente estava ciente de que futuros caçadores de cometas poderiam também usar a compilação de Herschel.[3] No entanto, há uma série de exceções notáveis: suas medições do posicionamento de estrelas de aglomerados abertos, como as estrelas pertecentes ao aglomerado do Presépio (M44) e das Plêiades (M45), realizadas em 1785, 1790 e 1796; uma série de observações, por volta de 1790, de nebulosas e aglomerados, marcadas a mão na sua cópia pessoal do catálogo, correções das posições, também em 1790, para a "nebulosa" de Andrômeda (M31) e sua companheira M32, bem como as suas investigações e desenhos da "nebulosa" de Andrômeda (M31) e ambos os seus satélites M32 e M110, em 1795.[33]

Messier dedicou-se a acompanhar o grande número de cometas que apareceram após 1785,[10] que não permitia ter muito tempo para outras atividades de observação. O catálogo de Messier foi finalmente corrigido por meio da identificação dos quatro objetos perdidos (ou pelo menos três deles), tendo sua versão atual, graças à intervenção da astrônoma canadense Helen Sawyar Hogg e de Gingerich. com a adição das recentes descobertas de Méchain, M104 - M109, por Sawyer Hogg, além da descoberta de M110, incluída no catálogo por Gingerich.[34][28][18][35][36][37]

A empreendedora busca de cometas de Messier obteve um maior sucesso em 7 de janeiro de 1785, quando ele descobriu o cometa C/1785 E1, quando o objeto apresentava cerca de 6,5 de magnitude aparente; ficou visível por cerca de 5 semanas. Méchain descobriu outra cometa em 11 de março de 1785 (C/1785 A1), e outro em 17 janeiro de 1786; esta foi a primeira aparição do cometa Encke (2P/Encke),[10] o cometa com o menor período orbital conhecido, de apenas 3,3 anos.[38]

Em 1785, Pierre Méchain tornou-se o editor principal do connoisance des temps. Méchain trabalhou nesse periódico até 1792, e foi responsável pela publicação de artigos no periódico para trabalhos até 1788 (que viriam a ser impressos em 1794). Algumas fontes dizem que Messier também foi apontado como editor associado do periódico no mesmo ano e permanecido nesse cargo por cinco anos, até 1790, mas existem controvérsias a respeito.[29][3]

Ambos os astrônomos continuaram a sua bem-sucedida busca de cometas: Messier descobriu um novo cometa em 26 de novembro de 1788 (C/1788 W1), enquanto Méchain encontrou mais um cometa em 10 de abril de 1787 (C/1787 G1), e descobriu o cometa Tuttle (8P/Tuttle) quando este apareceu em 9 de janeiro de 1790.[10] Messier se tornou membro da Academia de Ciências de Dublin (1784), da Academia de Stanislav, Nancy, Lorraine (1785), e da Academia de Vergara, Espanha (1788).[8]

Revolução Francesa

Enquanto isso, a Revolução Francesa começou com a tomada da Bastilha, em 14 de julho de 1789. Esses eventos podem ter atrapalhado Messier em publicar uma nova versão atualizada do seu catálogo. Em sua cópia pessoal, ele acrescentou mais notas sobre observações de nebulosas e aglomerados também nessa época turbulenta da história da França.

Quatro anos depois, a revolução culminou no "Ano do Terror" na França. Naquele ano, o rei francês Luís XVI foi guilhotinado em 21 de janeiro, e o amigo de Messier, o ex-presidente Saron, também foi guilhotinado em 20 de abril de 1794, pouco depois de ter calculado a órbita do cometa que Messier descobriu em 27 de setembro de 1793 (C/1793 S2).[10][19] Messier chegou a notificá-lo secretamente que ele havia seguido o cometa através da trajetória calculada por ele. O terrorismo chegou ao fim quando finalmente Robespierre foi guilhotinado em 27 de julho de 1794. Durante essa época, Messier ficou sem receber salários e pensões:[19] teve até mesmo emprestar de Lalande óleo para a sua lâmpada. Méchain estava na Espanha, empregado na investigação de meridianos, onde descobriu um outro cometa em janeiro de 1793.[10] Sua família perdeu seus bens durante este ano e Méchain teve que partir para a Itália, retornando a Paris em 1795. Juntamente com Messier, Méchain tornou-se membro do novo Instituto Nacional de Ciências e Artes, sucessor da Academia de Ciências. Como um dos quatro astrônomos, Méchain também foi selecionado para o Bureau des Longitudes; Messier também entrou para organização em junho de 1796, após a saída de Jean-Dominique Cassini, conde de Cassini.

Messier descobriu outro cometa, em 12 de abril de 1798 (C/1798 G1).[10] Naquela época, ele aparentemente sentiu a necessidade de comentar sobre sua intenção de compilar seu catálogo. No connaissance des temps para o IX ano (da República Francesa, ou seja, 1800/1801), que foi publicado em 1798, Messier declarou que:

"O que me levou a realizar o catálogo foi a descoberta da nebulosa I, acima do chifre sul de Touro, em 12 de setembro de 1758, enquanto observava o cometa daquele ano. Esta nebulosa tinha tamanha semelhança com um cometa em sua forma e brilho e me esforcei para encontrar os outros, de modo que os astrônomos não mais confundissem estas mesmas nebulosas com cometas. Observei ainda mais com o auxílio de refratores adequados para a descoberta de cometas e este é o propósito que eu tinha em mente na compilação do catálogo.
Depois de mim, o célebre Herschel publicou um catálogo de 2000 objetos que ele observou. Isto revelou os céus com o auxílio de instrumentos de grande abertura que não ajudam no exame do céu para cometas de brilho fraco. Assim, meu objetivo é diferente do dele e eu preciso saber apenas as posições das nebulosas visíveis com um telescópio de dois pés de distância focal. Desde a publicação do meu catálogo, tenho observado ainda outros: vou publicá-las no futuro, na ordem de ascensão reta, com a finalidade de torná-los mais fáceis de reconhecer e para aqueles em busca de cometas terem menos incerteza".[39]

Sua segunda esposa veio a falecer em 1798, sem que tivessem filhos. Messier manteve uma união não oficial com Madame Bertrand, também viúva, até sua morte em 1816.[25]

Velhice e morte

Entretanto, Messier nunca realizou este plano. Em 1801, quando o primeiro "asteroide", Ceres, tinha acabado de ser descoberto por Giuseppe Piazzi em 1 de janeiro, Charles Messier, agora com 71 anos, participou de um projeto de observação de ocultações da estrela Spica (Alpha Virginis) pela Lua, entre 30 de março e 24 de maio. Charles Messier fez a sua última descoberta de um cometa em 12 de julho de 1801,[10] quando ele de forma independente co-descobriu o cometa C/1801 N1; isso trouxe o número de descobertas suas de cometas a 20, 13 sendo originais e sete co-descobertas independentes. Messier fez também algumas observações dos "planetas" (asteróides) recém-descobertos de Piazzi (Ceres) e de Heinrich Olbers (Pallas).[25]

Pierre Méchain tornou-se diretor do Observatório de Paris, cargo que viria a ter por vários anos. Mas como ele estava preocupado com algumas determinações de latitude e longitude em suas pesquisas, ele finalmente conseguiu a permissão de Napoleão para estender seu trabalho para as Ilhas Baleares. Ele deixou Paris em 1803. Depois de completar partes deste trabalho, Méchain contraiu febre amarela e morreu em Castelló de la Plana, Espanha, em 20 de setembro de 1804.

Já com idade avançada, Charles Messier finalmente obteve reconhecimento, quando o próprio Napoleão, em 1806, apresentou-lhe a Cruz da Legião de Honra.[2][4] Por outro lado, Messier arruinou boa parte de sua reputação científica com a publicação de uma obra, dedicando o grande cometa de 1769 a Napoleão, que havia nascido naquele ano. Assim, Messier se tornou, provavelmente, o último cientista sério que alegava que os cometas anunciavam eventos na Terra, ou segundo o Almirante Smyth: "O último cometa astrologicamente apresentado ao público por um astrônomo ortodoxo".[25]

Com a idade avançanda, Messier fez cada vez menos observações, principalmente devido à diminuição de sua visão, embora não cessasse as observações completamente. Messier não foi capaz de determinar as posições dos dois cometas, de 1805 e de 1806. O estado de seu observatório ficava cada vez pior, sem fundos para mantê-lo. Os últimos registros de observação de cometas de Messier foram o registro das posições, com a ajuda de outros observadores, do "Grande Cometa" de 1807 (C/1807 R1). Sua última obra, apresentado ao Instituto Nacional de França, similar ao seu primeiro de 1771, a primeira versão do catálogo de nebulosas e aglomerados de estrelas, foi mais uma vez um livro consideravelmente importante sobre "nebulosas:" a apresentação de suas observações de 1795 e um desenho da "nebulosa" Andrômeda (M31), juntamente com os seus companheiros M32 e M110.

Em 1815, Messier sofreu um derrame que o deixou parcialmente paralisado. Após a recuperação parcial, ele participou de mais uma ou duas reuniões da Academia Francesa, mas seu cotidiano tornou-se cada vez mais difícil. Na noite de 11-12 de abril de 1817, Charles Messier faleceu, aos 87 anos, em sua casa em Paris.[2] Foi enterrado em 14 de abril no cemitério do Père-Lachaise, também em Paris.[40]

Homenagens

Charles Messier foi homenageado recentemente pela comunidade astronômica pela nomeação de uma cratera lunar, situado na região de Mare Fecunditatis.[25][41] O asteroide 7359 Messier, descoberto em 16 de janeiro de 1996 pelo checo Miloš Tichý no Observatório de Klet', provisoriamente designado como BH 1996, foi nomeado "Messier".[41]

Ainda quando Messier vivia, em 1775, seu amigo e astrônomo Jérôme de Lalande tinha proposto o nome de uma constelação em sua homenagem: Custos Messium. Esta constelação era formada na atual região de fronteira das constelações de Cefeu, Cassiopeia e Camelopardalis. No entanto, a constelação teve uma vida curta e está extinta atualmente.[41]

De qualquer forma, a honra mais óbvia certamente é a nomeação ainda em uso dos objectos do céu profundo em seu catálogo. O objeto é catalogado com a designação "Messier" ou "M" seguido de seu número de catálogo, como Messier 42 ou M42 para a nebulosa de Órion, ou M31 para a galáxia de Andrômeda.[42]

Notas

  1. Os cometas, quando são descobertos, geralmente possuem brilho fraco, mas podem se tornar brilhantes (facilmente visíveis no céu), dependendo do cometa em questão.
  2. A periodicidade do cometa Halley não passava de uma hipótese levantada por Edmond Halley, confirmada em 1758
  3. À época não se sabia da existência de galáxias, que foram confundidas com nebulosas até o início do século XX
  4. Talvez por ser exatamente 1 de abril, dia da mentira, comemorado na França desde o século XVI, e porque o anúncio foi dado muito depois da comunidade científica da época saser sobre o retorno do cometa Halley
  5. A cada 14,5 anos, os anéis de Saturno ficam em "perfil", sendo impossível sua observação com telescópios por um período de aproximadamente um ano
  6. brilho equivalente ao de uma estrela comum vista no céu
  7. Excepcionalmente, este cometa não foi nomeado em homenagem a seu descobridor, Charles Messier, mas para o calculador de sua órbita, Anders Johan Lexell, um astrônomo e matemático finlandês que trabalhava para o Observatório de São Petersburgo.
  8. Brilho das estrelas mais fracas vistas das cidades

Referências

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Ver também