Escultura do Classicismo grego

Policleto: O Doríforo. Cópia moderna do Museu Pushkin.

A escultura do Classicismo grego tem sido longamente considerada como o ponto mais alto do desenvolvimento da arte escultórica na Grécia Antiga, tornando-se quase um sinônimo para "escultura grega" e eclipsando outros estilos que por lá foram cultivados em sua longa história. O Cânone, um tratado sobre as proporções do corpo humano escrito por Policleto em torno de 450 a.C., é tido geralmente como seu marco inicial, e seu fim é assinalado com a conquista da Grécia pelos macedônios, em 338 a.C., quando a arte grega começa uma grande difusão para o oriente, de onde recebe influências, muda seu caráter e se torna cosmopolita, na fase conhecida como Helenismo. Nesse intervalo é quando se consolida a tradição do Classicismo grego, tendo o homem como a nova medida do universo, e o reflexo disso na escultura é a primazia absoluta da representação do corpo humano nu. A escultura do Classicismo elaborou uma estética que conjugava valores idealistas com uma fidedigna representação da natureza, evitando, embora, a caracterização excessivamente realista e o retrato de extremos emocionais, mantendo-se geralmente numa atmosfera formal de equilíbrio e harmonia. Mesmo quando o personagem se encontra imerso em cenas de batalha, sua expressão parece pouco tocada pela violência dos acontecimentos.[1][2]

O Classicismo elevou o homem a um nível de dignidade sem precedentes, ao mesmo tempo em que lhe atribuiu a responsabilidade de criar seu próprio destino e ofereceu um modelo de vida harmonioso, num espírito de educação integral para uma cidadania exemplar. Esses valores, junto com sua tradicional associação de Beleza com Virtude, encontraram na escultura do período Clássico, com seu retrato idealizado do ser humano, um veículo particularmente apto para expressão, e um eficiente instrumento de educação cívica e ética, bem como estética. Com ela se inaugurou uma forma de representação do corpo humano que foi um dos fulcros para o nascimento de um ramo filosófico novo, a Estética, além de ter sido o fundamento estilístico de movimentos revivalistas de enorme importância, como o Renascimento e o Neoclassicismo, e permanecer válida até os dias de hoje. Assim, seu impacto sobre a cultura ocidental não pode ser suficientemente enfatizado, sendo uma referência central para o estudo da história da arte do ocidente. Mas, além de seu valor histórico, sua qualidade artística intrínseca poucas vezes foi questionada, a vasta maioria dos críticos antigos e modernos a enaltece com veemência, e os museus que a preservam são visitados por milhões de pessoas todos os anos. A escultura do Classicismo grego, embora sendo por vezes alvo de algumas críticas que relacionam suas bases ideológicas a preconceitos raciais, dogmatismos estéticos e outros exclusivismos, ainda pode ter um papel positivo e renovador a desempenhar para a arte e a sociedade contemporâneas.[3][4][5]

Definição de "clássico"

Leo von Klenze: Reconstrução ideal da Acrópole de Atenas, 1846.

A palavra clássico tem uso largo, e ainda não há consenso na literatura especializada sobre sua definição exata. As civilizações grega e romana foram em sua totalidade chamadas de clássicas, por terem estabelecido padrões culturais que se tornaram canônicos e que continuam válidos até os dias de hoje. Nesse sentido, clássico é tudo o que estabelece um gabarito pelo qual se julgarão expressões pertencentes a uma mesma categoria. O termo ainda é usado com um significado mais estrito, para referir um breve período dentro da longa história da cultura grega antiga - de meados do século V a.C. até quase o fim do século IV a.C. - quando se desenvolveu um estilo e se criou um corpo de obras que durante muitos séculos seriam considerados a mais alta conquista na arte da escultura em todos os tempos, e por isso mesmo merecendo o qualificativo de clássico. Entretanto, como ocorre em todos os processos de evolução artística, quaisquer datas que se definam rigorosamente via de regra se revelam inexatas e passíveis de contestação, sempre havendo elementos de transição antes e depois do período enfocado, tornando as fronteiras sempre difusas e de difícil caracterização, tornando-se necessário para fins práticos adotar as delimitações consagradas pela tradição.[6]

Contexto e antecedentes

O Classicismo na escultura grega deriva principalmente da evolução cultural ateniense no século V a.C. - e sua disseminação se explica pela hegemonia dessa cidade sobre os outros gregos - onde a principal figura artística é Fídias, junto com a contribuição mais ou menos isolada, mas igualmente fundamental, de um outro grande nome, Policleto, ativo em Argos. Em torno da metade do século a Grécia experimentava um momento de autoconfiança. Depois da vitória contra os persas Atenas assumira a liderança entre as cidades gregas, chefiando a Liga de Delos. Em torno de 454-453 a.C. o tesouro da Liga foi transferido para lá, e a cidade se tornou uma potência, reduzindo seus antigos aliados a uma condição de tributários. Mas Jerome Pollitt declara que esses fatores, nem isolados nem em conjunto, seriam suficientes para explicar as mudanças observadas na cultura geral se não houvesse porta-vozes para os articular e explicitar. Entre esses veículos estava Péricles. Dominando a política de Atenas entre 460 a.C.e 429 a.C., seu objetivo foi transformar sua cidade num modelo para todo o mundo grego. Incentivou o imperialismo ateniense e protegeu os artistas e filósofos, que plasmaram em formas concretas seus ideais. Ao mesmo tempo, decidiu quebrar um voto feito pelos atenienses de deixar em ruínas os monumentos que haviam sido destruídos pelos persas, como uma lembrança perene da barbárie, iniciando a reconstrução da cidade e da Acrópole, usando em parte recursos próprios e em parte os excedentes do tesouro da Liga, de que era depositária.[7][8] Péricles tinham em mente com isso dinamizar a economia de Atenas, empregando uma multidão de operários e artífices, e ao mesmo tempo deixar um testemunho visível do novo status da cidade. Plutarco descreveu mais tarde o entusiasmo que fervia:

Tetradracma ateniense, período clássico.
Kouros Anavyssos, original. Museu Arqueológico Nacional de Atenas. Exemplo do estilo Arcaico.
Mestre de Olímpia: Apolo, original. Museu Arqueológico de Olímpia. Exemplo do estilo Severo.
"À medida que as obras prosseguiam, resplandecendo em grandeza e possuindo inimitável graça de formas, e como os artesãos se esforçavam por superar uns aos outros na beleza de seus trabalhos, era maravilhosa a rapidez com que eram executadas as novas estruturas… Havia um aspecto de novidade em cada trabalho, e eles pareciam atemporais. É como se uma vida em contínua floração e um espírito de eterna juventude tivessem sido infusos em sua criação".[9]

Ao mesmo tempo, a filosofia mudava seu foco de atenção do mundo natural para a sociedade humana, acreditando que o homem podia ser o autor de seu próprio destino. Mais do que isso, o homem passava a ser considerado o centro da Criação. Sófocles expressa esse novo pensamento na Antígona (c. 442 a.C.), dizendo:

"Existem muitas maravilhas, mas nenhuma tão admirável quanto o homem.
Através do mar encapelado nas tempestades de inverno
esta criatura abre seu caminho
por entre as ondas gigantescas.
E a terra, a mais antiga das deusas,
a que é imortal e imune à velhice, ele trabalha
lavrando para frente e para trás, ano após ano,
virando o solo com os cavalos que alimentou. (…)
"Com suas invenções ele domina as bestas ferozes das montanhas,
o cavalo bravio ele amordaça, e põe-lhe o cabresto,
assim como faz com o touro infatigável da montanha.
Ensinou a si mesmo a linguagem, rápida como o vento,
e aprendeu por si a viver em sociedade,
e a escapar do ímpeto das tempestades
e do frio penetrante dos dias brancos.
Ele pode enfrentar tudo, nunca está despreparado,
seja o que for que o futuro trouxer. Apenas da morte não sabe fugir,
pois até das doenças mais graves descobriu uma cura"..[10]

Assim o Classicismo nasce de um sentimento de confiança nas capacidades e realizações de um determinado povo, e de um desejo de glória e eternidade para si, e seu orgulho, bem como sua xenofobia, são patentes no discurso político e na literatura da época, mas os poetas e filósofos já estavam cientes das implicações para todo o gênero humano desse novo modo de ver. O homem se torna a nova medida das coisas, que passam a ser julgadas a partir da sua experiência. Isso está presente, por exemplo, na irregularidade matemática das dimensões do Partenon, que se desviam da ortogonalidade rigorosa para conseguir efeitos de regularidade puramente óptica, e também se expressa no crescente naturalismo das formas humanas da estatuária.[11][12]

No que diz respeito propriamente à elaboração da forma escultural clássica, na metade do século o naturalismo já estava bastante avançado. Os cinquenta anos anteriores haviam sido um período de rápidas e radicais mudanças sociais e estéticas, que determinaram o abandono do padrão Arcaico para um outro a que se denominou Severo. O estilo Arcaico fazia uso de uma série de convenções herdadas dos egípcios, e seu gênero mais importante, o nu masculino, o kouros, era uma fórmula fixa, uma imagem de linhas abstratizantes que só retinha do corpo humano real os traços mais básicos, e exibia uma face invariavelmente sorridente e sempre a mesma atitude corporal, embora conseguisse resultados de um aspecto augusto e inegável pujança. Esse modelo vigorou com pouca variação por mais de duzentos anos, mas os artistas do período Severo introduziram nele um novo senso de naturalismo, e abriram o caminho para o estudo da anatomia a partir do natural e para a expressão das emoções de maneira mais convincente e variada. Em torno de 455 a.C. Míron, escultor da transição, cria seu Discóbolo, uma obra que já evidencia um grau de naturalismo ainda mais avançado, e logo a seguir Policleto consolida em torno de 450 a.C. um novo cânone de proporções, que expressava a beleza e vitalidade do corpo e ao mesmo tempo lhe dava um aspecto de eternidade e harmonia. Quase na mesma altura, a partir de 446 a.C., Fídias, liderando o grupo de escultores que decoravam a Acrópole, deixa no Partenon a primeira série de obras dessa fase em escala monumental, estabelecendo modelos temáticos que perdurariam por longo tempo. Com eles se lançam os fundamentos na escultura daquilo que se convencionou chamar de Alto Classicismo (c. 450-420 a.C.).[1][13][14][15]

Policleto: Diadúmeno, cópia romana. Museu Arqueológico Nacional de Atenas.
Possivelmente projetada por Kálamis: Métope sul do Partenon, original. Museu Britânico.
Oficina de Fídias: Fragmento do friso norte do Partenon, original, hoje no Museu Britânico.

Alto Classicismo

Desde o período Severo o esforço dos artistas se dirigia para a obtenção de uma crescente verossimilhança nas formas escultóricas em relação ao modelo vivo, mas também procurando transcender a mera parecença a fim de expressar suas virtudes internas. Para os gregos antigos a beleza física era identificada com a perfeição moral, num conceito conhecido como kalokagathia - lembremos que para eles a educação e cultivo do corpo eram tão importantes como o aperfeiçoamento do caráter, sendo ambos essenciais para a formação de um cidadão modelar, numa cultura onde a nudez masculina em público, o motivo central na escultura clássica, era um hábito socialmente aceito em determinadas situações. Esses valores encontraram nessa fusão única de naturalismo com idealismo um canal cada vez mais adequado para manifestação. Ao mesmo tempo, esse estilo satisfazia muito melhor a imemorial função vicarial da estatuária, substituindo uma presença desvanecida ou impossível por sua imagem esculpida, como é o caso das estátuas comemorativas de heróis e atletas, das recordações dos mortos ou dos simulacros das divindades. E a preferência pela representação idealizada dos sujeitos, sempre em sua juventude ou primeira maturidade, do corpo em sua glória de beleza e vigor, negava o poder da decadência física e da morte e reintegrava o sujeito ausente na eternidade. Sua função exemplar era reforçada com o deslocamento do foco do particular para o genérico, materializando símbolos perenes da aretê, a virtude que se desejava para todos, e com isso oferecendo ao povo a oportunidade de espelhamento e aprendizado, junto com o desfrute de um prazer estético superior. Tantas eram as suas capacidades que a escultura clássica se tornou para os gregos um bem de utilidade pública e instrumento pedagógico.[16][17][18]

Uma contribuição individual importante para cristalizar a associação entre arte e ética foi dada ainda no período Arcaico por Pitágoras, a partir de suas pesquisas no terreno da matemática aplicada à música e à psicologia. Considerando que os vários modos musicais impressionavam a alma de maneiras distintas e eram capazes de induzir estados psicológicos e comportamentos definidos, para ele se a música não imitasse a harmonia matematicamente expressa do cosmos, poderia provocar distúrbios na alma das pessoas e assim na sociedade como um todo. Essa associação logo foi expandida para as outras artes, atribuindo-lhes poderes semelhantes de transformação individual e, por consequência, coletiva. Seu pensamento teria profunda influência no de Platão, que levaria a discussão estética ainda mais longe, explorando detidamente suas repercussões morais e sociais.[19]

Policleto e Fídias

Ver artigo principal: Policleto e Fídias

Policleto foi, até onde se sabe, o primeiro a sistematizar esses valores e conceitos aplicados à escultura num tratado, o Cânone. Nele o artista apresentava um modelo de representação a uma só vez idealmente belo e "real", livre de características ou variações individuais. A obra infelizmente se perdeu, mas comentários posteriores sobre ela nos dão uma idéia de seu conteúdo. Galeno dizia que a beleza

"não reside na simetria dos elementos do corpo, mas na adequada proporção entre as partes, como por exemplo de um dedo para outro dedo, dos dedos em conjunto para as mãos e o pulso, destes para o antebraço, dali para o braço, e de tudo para com tudo, assim como está escrito no Cânone de Policleto. Tendo nos ensinado neste tratado todas as simetrias do corpo, Policleto ratificou o texto com uma obra, tendo feito uma estátua de um homem de acordo com os postulados de seu tratado, e chamando a estátua, assim como o tratado, de Cânone. Desde então todos os filósofos e doutores aceitam que a beleza reside na devida proporção das partes do corpo"..[20]

A estátua de que Galeno fala é hoje identificada como sendo provavelmente o Doríforo,[16] e Arnold Hauser sugeriu, quase sem objeções de outros, que ela representa Aquiles.[21] Andrew Stewart diz que a intenção do autor com ela foi claramente polemizar, criticando o estilo de predecessores como Pitágoras – não confundir com o célebre filósofo – que estavam preocupados mais com a simetria e o ritmo, e dando um modelo formal a ser seguido como uma lei. Sua expressão deliberadamente neutra e desapaixonada, seu equilíbrio entre estaticidade e movimento tão bem conseguido no contrapposto, seu cuidado no estabelecimento de um sistema de proporções rigoroso que definia toda a composição da figura do corpo e as relações das partes entre si, apareceram como uma grande novidade em sua época, uma perfeita ilustração visível da sophrosyne, o autocontrole e moderação em todas as ações, uma das virtudes básicas que compunham a aretê e a doutrina apolínea do "nada em excesso", e que caracterizavam o verdadeiro herói. Apesar de altamente apreciada, seus princípios parecem não ter sido aprovados para todos os casos. Foi criticada sua inadequação a contextos narrativos e violentos como cenas de batalhas, e escritores como Quintiliano disseram mais tarde que esse sistema não conseguia expressar a auctoritas dos deuses, o que pode refletir uma opinião corrente mais antiga. Mesmo assim o seu sucesso é evidenciado pela grande quantidade de vezes em que foi copiada, e pela sua influência profunda e inconteste sobre as gerações posteriores. Escritores modernos também têm encontrado analogias entre o equilíbrio do Doríforo, baseado numa delicada dosagem de forças opostas, com as formulações da medicina de Hipócrates, e acreditam que o pensamento do famoso médico foi deliberadamente assimilado pelo escultor.[22][23][24]

Policleto pode ter se inspirado nas pesquisas anteriores sobre proporções realizadas pelo escultor Pitágoras, mas de qualquer forma suas idéias se inseriam na busca de seus contemporâneos por descobrir a estrutura regular e harmoniosa, o modelo básico, subjacente às infinitas variações de um mesmo tipo de coisa do mundo físico, e por estabelecer relações numéricas definidas para poder replicar tal regularidade e harmonia na arte, continuando a teoria do filósofo Pitágoras de que o universo era estruturado através de números. Duas outras composições suas são atualmente também chamadas de "canônicas", o Discóforo e o Diadúmeno.[25]

Atribuído a Fídias: Hermes Logios, cópia romana. Museu Nacional Romano.

Quanto a Fídias, foi talvez o mais celebrizado dos escultores gregos. Sua obra herdou a austeridade do estilo Severo, combinando-a com as conquistas de Policleto, e foi apreciada pelo elevado idealismo e ethos que expressava. Como diretor da decoração do Partenon, supervisionou um grupo de vários mestres com preparo e tendências diversas, o que fez com que o resultado global fosse bastante heretogêneo, mostrando traços Severos e outros mais avançados, naturalistas, e uma qualidade nem sempre de primeira ordem. Esse conjunto, embora seja a mais ambiciosa realização escultural do Alto Classicismo, não pode ser tomado como uma medida de seu talento e estilo pessoais. Seu sucesso entre seus contemporâneos e sua perene memória derivam principalmente de suas colossais estátuas de culto de Atena e Zeus, instaladas respectivamente no Partenon de Atenas e no templo de Zeus em Olímpia. Ambas eram revestidas de ouro e marfim, e causaram um enorme impacto em seu tempo. Infelizmente ambas se perderam. Do Zeus Olympeios, considerado uma das Sete Maravilhas do mundo antigo, só restam descrições literárias e imagens toscas gravadas em moedas da época, mas da Athena Parthenos, dedicada em 438 a.C., sobrevive uma cópia, muito reduzida e de qualidade sofrível, a chamada Athena Varvakeion, que pode nos dar pelo menos uma idéia sobre o original. Outras obras que nos chegaram através de cópias e que lhe são atribuídas, sem grande segurança, são a Athena Lemnia, o Apolo de Kassel, uma Amazona ferida e um Hermes Logios.[26][27][28]

Outros escultores que devem ser lembrados no período do Alto Classicismo são Alcamenes, Kresilas e Peônio, todos trabalhando em torno da proposta formal de Policleto. Calímaco, um mestre muito apreciado pelo refinamento de suas obras, é tido como o inventor do capitel coríntio, e Kálamis, outro grande nome, foi auxiliar de Fídias e a ele se credita o desenho das métopes do Partenon, mas seu estilo ainda trazia alguma influência do período Severo, do qual ele foi um dos maiores representantes.

Aretê x pathos na mímese artística

Ver artigo principal: Mimesis, Estética

O estilo puro e austero de Policleto e Fídias, que tipifica o Alto Classicismo, não durou por muito tempo. Em sua Memorabilia, Xenofonte traz para nós mais dados sobre o estado da crítica de arte na transição para o Classicismo Tardio. No texto, que recorda a carreira de Sócrates, transparece a existência já nesta época de um debate sobre as capacidades e limites da mímese. Ele argumenta com um certo Kleitos - escultor desconhecido que alguns consideram ser o próprio Policleto - dizendo que suas estátuas de atletas vencedores deviam mostrar não só um ideal de beleza, mas também o que acontecia em sua psyche, alma, através de traços especiais da face e corpo. A interpretação desta passagem é controvertida, mas levanta uma questão sobre as relações entre aparências e significado humano e parece admitir a possibilidade da arte expressar pathos, a emoção individual e o drama, numa oposição direta à neutralidade e contenção de Policleto. Para um público acostumado a ver nas estátuas celebratórias não um tributo ao indivíduo que serviu de modelo, mas um espelho do heroísmo coletivo, um exemplo a ser seguido por todos os cidadãos e um serviço prestado a toda a sociedade, esse conceito era bastante perturbador, enfraquecendo o caráter absoluto e invariável da aretê, pondo-a sob o domínio de caprichos e emoções momentâneas e degradando o herói para o nível de criaturas inconstantes como os centauros ou sátiros, onde ele se arriscava a deixar de ser considerado um herói de qualquer forma concebível.[29][30] Mas a discussão ia mais longe. Perguntando a Kleiton como ele conseguia reproduzir uma aparência de vida em suas estátuas, sintetizava todo o problema da representação imitativa da natureza na arte. Stephen Halliwell diz que

"mesmo dentro dos limites das conversações relatadas por Xenofonte na Memorabilia, podemos discerir uma tensão - uma tensão que se tornaria central em todo o legado da mímese - entre visões divergentes sobre a arte representativa, sendo, de um lado, uma ilusão fictícia, o produto de um artefato "enganoso", e, de outro, um reflexo de e um engajamento com a realidade".[31]

Essa problemática anunciava o fim da primazia do ideal em abstrato, adaptando-o para a esfera individual, o que seria a tônica da arte do século IV. a.C., quando Platão e Aristóteles aprofundariam extraordinariamente o que Sócrates esboçara, lançando as bases para o desenvolvimento de um ramo filosófico inteiramente novo - a Estética.[32]

Classicismo tardio

Na virada do século V a.C. para o século IV a.C. Atenas reconquista parte da hegemonia no mar Egeu que havia perdido em anos anteriores por discórdias internas e guerras externas, que haviam transferido o poder político para Esparta, Corinto e Tebas. A democracia é restaurada e suas riquezas voltam a crescer, mas a política adquire uma feição profissional e complexa, desenvolvendo o que se chama o "aparato de Estado", perdendo a pólis seu caráter comunitário. Ao mesmo tempo as colônias gregas em torno do Mediterrâneo se multiplicam às centenas e alcançam grande desenvolvimento, com economias diversificadas e lucrativas, que imitavam o modelo social da pólis metropolitana. A descentralização da cultura por essas regiões e a ascensão de uma classe mercantil abastada, consumidora de arte mas com valores próprios, abre o caminho para o individualismo e para a influência de elementos culturais estrangeiros.[33][34]

Busto de Sòcrates, cópia romana. Museu Arqueológico Nacional de Nápoles.
Atribuído a Eufranor: Páris, cópia romana. Museu do Louvre.

Na escultura a preocupação com a verossimilhança se acentua ainda mais. Inovações na técnica da talha da pedra permitiam um controle maior do acabamento dos detalhes, e o interesse dos artistas se expande para a representação dos mantos e vestidos com maior refinamento, como forma de realçar o delineado do corpo e descrever efeitos de vento com maior fluidez e ritmo, e buscando diferenciações no polimento das superfícies com fins plásticos, a fim de obter efeitos mais sutis de luz e sombra. Escultores da nova geração introduzem uma flexibilização do cânone de Policleto, abandonando a representação do movimento latente para um mais efetivo, desenvolvendo um novo repertório de atitudes mais dinâmicas do corpo e deixando de lado as proporções matematicamente estabelecidas para criar imagens convincentes para os sentidos, mais semelhantes aos corpos do mundo real, com suas idiossincrasias físicas e afetos pessoais, iniciando-se o período chamado de Baixo Classicismo, ou Classicismo Tardio. As estátuas adquirem desta forma uma "presença" ainda mais enfática, também pelo novo tratamento detalhado e realista dado à face, cabelos e barba. Nasce o retrato individualizado, uma inovação atribuída a Lisístrato - segundo Plínio, o Velho, o primeiro a tirar moldes do rosto do modelo - transferindo o centro do interesse do embelezamento para a similitude, e convidando o espectador a meditar sobre as eventuais discrepâncias entre valor moral, interno, com o aspecto exterior da pessoa. Os retratos realistas de Sócrates desse período, cuja feiúra era notória mas cuja virtude igualmente o era, exemplificam a nova dimensão em que penetra a arte da representação corporal.[35] Não obstante, Platão reafirma a identidade entre Beleza e Virtude, mas a transfere para o plano supramundano, localizando a Beleza além do alcance dos sentidos físicos, evitando atribuir ao escultor a capacidade de retratar a natureza com absoluta fidelidade. Com isso ele alertava para as inevitáveis diferenças existentes entre o modelo vivo e seu simulacro, diferenças que nem mesmo o mais hábil dos escultores podia transpor, e quebrava o elo identitário entre imagem e realidade, privando as imagens de parte de seu antigo significado e tornando os artistas mercadores de ilusões e veiculadores de mentiras, cujo produto era apenas um phantasma, uma aparência ilusória. Mesmo assim não negava completamente o valor da obra mimética, pois não considerava que a definição de mímese implicasse uma semelhança absoluta com o modelo. Nessa brecha dizia que a beleza das formas não era uma questão de mera aparência, mas de aparências que corporificavam valores morais, e o dever do artista de trabalhar em linhas éticas jazia no poder - e no perigo - das formas artísticas induzirem no espectador uma outra mímese, pessoal e interna, dos princípios e padrões que elas veiculavam. A interpretação de suas palavras ainda hoje é cercada de incertezas, e tem dado origem a uma variedade imensa de leituras, algumas radicais como a de Nietzsche, que o chamou de "o maior inimigo das artes que a Europa já produziu". Seja como for, seu questionamento do papel da mímese na arte, sua argumentação sobre as relações entre a verdade arquetípica e as manifestações do mundo natural, mais sua condenação do trágico, levantaram problemas para a validação do produto artístico que ainda não foram completamente resolvidos.[36][37][38]

As especulações filosóficas dessa natureza não parecem ter exercido um efeito maior sobre os artistas e o público consumidor de escultura, e na verdade foram em parte contestadas por outras figuras ilustres, como Aristóteles. Ele elaborou uma teoria sobre a função catártica da arte, evitando liberalmente a condenação da cultura popular e seu emocionalismo. Também defendeu a representação de objetos "não-belos", baseado na assunção de que se a arte é uma imitação da natureza, não pode nem prover um grande prazer nem profundo ensinamento, mas quando, no caso, imita a feiúra, pode efetivamente gerar muito de ambos e sobrepujar o pesar que sua contemplação na vida real nos causa, propiciando uma espécie de "aprendizado-com-prazer" acessível até ao público inculto. Além disso, aprovava a mímese artística como elemento válido num contexto mais amplo de reconhecimento e atribuição de significado ao que é familiar e de aquisição de conhecimento e experiência, que por si mesmos são fonte de prazer, mas não deixava de aconselhar os jovens a contemplarem obras de artistas que ele qualificava de ethikos, aqueles cujas criações melhor exemplificavam o bom caráter humano, pois sua influência seria benéfica para toda a pólis. Tais idéias contribuíram para que a produção continuasse florescendo, e é preciso notar que essa aproximação maior da natureza não significou um abandono completo do ideal. Um realismo verdadeiro só iria aparecer na escultura grega com a escola helenista, descontando-se alguns casos isolados como os citados retratos socráticos. Lisipo ainda ridicularizava os escultores que criavam obras a partir do natural, e se orgulhava de modelar os homens como eles deveriam ser..[39][40][41][42]

Autor desconhecido: Dionísio Sardanapalo, cópia romana. Museu Nacional Romano.
Praxiteles: Afrodite Braschi, versão da Afrodite de Cnido, cópia romana. Gliptoteca de Munique.

Seria de esperar que as implicações do Platonismo para a religião e suas estátuas de culto fossem especialmente negativas, mas não foi assim. Desde sempre os gregos tiveram consciência da impossibilidade da visualização dos deuses em suas formas divinas, sob pena de morte, loucura, cegueira ou outra consequência drástica, e estavam capacitados a aceitar representações parciais e imperfeitas. De fato, até pedras informes, árvores e lugares podiam ser reconhecidos como receptáculos dos deuses. Mesmo no caso das estátuas de culto antropomórficas e refinadas, muitas vezes elas permaneciam ocultas ou semi-ocultas dos olhares do devoto por véus, mantos, adornos vários, exigindo dele um exercício de meditação e contemplação espiritual que não necessitava da semelhança para acontecer, embora pudesse ser facilitado por um ídolo com aspecto belo ou majestoso, ou que evocasse mais diretamente os atributos do deus. Porém alguns pensadores consideravam que uma antropomorfização de uma deidade constituía falta de decoro e fonte de erro, pois não apenas representava mal seu objeto mas também o rebaixava na tentativa de trazê-lo demais para dentro da esfera do humano. Para enfrentar as dificuldades os escultores se valeram de alguns recursos técnicos especiais, a fim de manter nítida a distância entre os deuses e os homens - resgatam traços estilísticos arcaicos, como a frontalidade, a postura hierática, as feições de índole abstratizante e de aspecto impassível e sobrenatural, que, em contraste com o estilo cada vez mais naturalista e expressivo da estatuária profana, delimitavam bem as esferas do sagrado e do mundano e obrigavam o devoto ao devido respeito e recolhimento diante do ídolo, e à lembrança de que o divino permanece para sempre essencialmente incognoscível. Destarte as estátuas de culto antropomórficas continuaram sendo produzidas, pois a religião permanecia firmemente enraizada e para ela a escultura servia como instrumento de visualização, interpretação e canonização de crenças coletivas consideradas verdadeiras. É preciso ainda dizer que quando a representação das divindades não estava ligada diretamente ao culto, como nos monumentos e relevos arquiteturais decorativos, havia maior liberdade formal, embora um pouco das mesmas convenções fossem observadas e se procurasse manter traços que caracterizassem o divino do personagem.[43][44][45]

A enfatização do naturalismo nas estátuas também deu margem a interessantes consequências no terreno afetivo. Não era raro que em sua função de substitutos de uma pessoa ou um deus as estátuas fossem objeto de um amor intenso, que se eivado de sensualidade podia levar ao desejo de conseguir das estátuas gratificações de natureza emocional e/ou sexual. Desde Pandora a Pigmalião, os mitos relatam diversas situações desse tipo, e os registros históricos contam que os mortais comuns também podiam cair na tentação de buscar do simulacro o que não podiam obter da realidade. A tentativa, contudo, estava naturalmente para sempre fadada ao fracasso. Aristófanes alertava para o risco de os humanos não se comportarem bem diante das estátuas dos deuses, podendo ser punidos com uma cisão psicológica, interna, e condenados a viver como mortos-vivos em busca de um objeto sempre inacessível. No mesmo caso estavam aqueles que criavam imagens físicas ou mentais de seus familiares, amantes ou cônjuges ausentes na esperança de com elas preencher seu vazio. Embora penosa, a situação não era vista de forma absolutamente negativa, era interpretada como um desejo profundo do indivíduo de reconquistar sua unidade espiritual primeva, e existia para ela uma solução na própria continuidade esse amor, fazendo da frustração uma oportunidade de descobrir a si mesmo, quando o desejo pelo amado ausente se tornasse o desejo pelo seu próprio eu ausente.[46][47]

Praxíteles, Escopas e Lisipo

Ver artigo principal: Praxíteles, Escopas e Lisipo
Atribuído a Escopas: Ares Ludovisi, cópia romana. Museu Nacional Romano.

A escultura grega do século IV a.C. foi dominada por três grandes figuras: Praxíteles, Escopas e Lisipo. Praxiteles parece ter sido o primeiro a explorar plenamente as possibilidades sensuais do mármore esculpido. O apelo erótico da sua Afrodite de Cnido - a primeira estátua feminina completamente nua da arte grega - se tornou célebre em sua época, e o seu Hermes carregando o infante Dionísio ilustra sua maestria na representação da suavidade da pele, na sutileza da expressão facial e na graça flexível e sinuosa da postura. Escopas se tornou conhecido pelo senso de drama, violência, dinamismo e paixão com que imbuiu suas obras, especialmente aquelas que deixou no Mausoléu de Halicarnasso, a mais importante realização arquitetônica grega neste período, embora em outras mostrasse sua capacidade de retratar a tranquilidade e a harmonia. Lìsipo reformulou o cânone de Policleto diminuindo as dimensões da cabeça e tornando a figura mais alongada, embora mais maciça. A ele se credita também a primeira estátua cujo acabamento foi realizado por igual em todas as suas direções, o Apoxyomenos, possibilitando ao espectador uma apreciação não apenas de um único ponto de vista privilegiado, como ainda era o uso de Policleto. Esses mestres, junto com outras figuras notáveis de sua geração como Leocarés, Briáxis, Cefisódoto, o Velho, Eufránor e Timotheos, resolvem todas dificuldades básicas pendentes quanto à forma e técnica que ainda pudessem impedir a livre expressão da idéia na matéria. Assim, encerram com grandes conquistas o processo de exploração da anatomia humana, da representação da roupagem e da resolução de problemas de composição, além de levarem a talha da pedra e a modelagem no bronze a um nível de qualidade sem precedentes, e são o elo de passagem da tradição clássica para a helenista. As gerações helenistas seguintes teriam pouco a acrescentar à essência da arte clássica, e o que acontece é mais a multiplicação das variações sobre motivos conhecidos e a exacerbação da expressão emocional e do dinamismo nos gestos e posturas, já delineados pelos clássicos.[33][48][49]

O estudo das funções e significados da escultura clássica ainda está progredindo. As interações e influências recíprocas em vários níveis que categorias, usos e atribuições devem ter estabelecido não são completamente reconhecidas, e há muito ainda por elucidar como a representação desempenhou um papel na construção de conceitos e práticas a respeito de gênero, status, inserção social, afeto, sexualidade, estética, ideologia, política, religião, ética e evolução histórica dentro da sociedade grega. O que já ficou evidente é a complexidade desse papel, e a necessidade de não se generalizar em demasia a partir de exemplos isolados, lembrando que nosso conhecimento da escultura grega é parcial também porque muitas obras só são conhecidas por referências literárias ou através de cópias posteriores, ou estão em estado incompleto e danificado, e porque sua datação e atribuição de autoria são muitas vezes inseguras e as biografias de seus criadores continuam repletas de lacunas e inconsistências importantes.[50]

Outros usos e técnicas

Sobre a escultura de grande porte, os relevos arquiteturais e a estatuária autônoma, suas características e funções já foram suficientemente abordadas nos parágrafos anteriores. No campo puramente técnico não houve avanços radicais no que os escultores do período Arcaico e Severo já haviam conquistado. Os mármores Arcaicos já evidenciavam um domínio da pedra muito elevado, visível especialmente em seus relevos arquiteturais. No caso dos bronzes, a principal inovação na sua história para a escultura grega foi o desenvolvimento da técnica da cera perdida, mas os seus princípios já eram manejados com maestria no período Severo, com uma aplicação diversificada. Assim, o Classicismo se beneficiou do fato de que as técnicas escultóricas principais já haviam sido aperfeiçoadas o suficiente para que o interesse principal passasse para os aspectos da forma e significado, embora com certeza em todas as técnicas houve alguns avanços em termos de refinamento.[51] Mas algumas palavras adicionais sobre tópicos específicos serão de utilidade para formarmos uma idéia mais completa dos vários usos e características da escultura durante o Classicismo.

Escultura fúnebre

Autor desconhecido: Estela funerária de Thrasea e Euandria, original. Pergamon Museum.
Estatueta de terracota com membros articulados, original. Staatliche Antikensammlungen.

Entre os usos da escultura estava a composição de monumentos fúnebres, onde em linhas gerais compartilhava das características da escultura decorativa dos templos e edifícios públicos. A tradição de construir monumentos aos mortos existia desde o período Arcaico, quando os kouroi cumpriam essa função. Com o advento da democracia no início do século V a.C. os costumes começam a mudar e surgem as estelas funerárias - placas em relevo com inscrições. Depois de uma evolução irregular, onde por motivos ainda obscuros desaparecem em alguns intervalos, no período Clássico começam a se tornar uma prática corrente na Ática, enquanto que em outras regiões só se popularizariam no Helenismo. Uma das primeiras estelas importantes do Classicismo parece ser a Estela de Eupheros, datada de c. 430 a.C., e seu estilo mostra uma ligação com a escultura decorativa do Partenon que estava sendo criada na mesma época. Tem sido um pensamento tradicional que tais monumentos fossem apanágio dos ricos, mas estudos recentes têm indicado que seu custo teria sido bem menor do que se imaginou e que mesmo as classes mais baixas podiam encomendar alguma placa votiva, embora evidentemente haja diferenças de riqueza e sofisticação entre os enterramentos do povo e os das grandes famílias. Os museus de arqueologia clássica exibem grande quantidade de exemplares. São especialmente interessantes as do Classicismo Tardio, que mostram retratos dos falecidos junto com familiares em cenas por vezes de grande sensibilidade e poesia.[52][53]

Terracotas

A terracota era uma técnica dominada desde tempos imemoriais, mas sua aplicação se dava mais na poteria, com usos esculturais limitados a objetos decorativos e pequenas estatuetas de consumo popular, figurando atores, animais e tipos do povo, muito comuns mas geralmente sem grande refinamento técnico e que repetiam toscamente os princípios formais da escultura de grandes dimensões. Peças maiores e mais refinadas eram raras, e teriam de esperar pelas escolas helenísticas florescentes a partir do final do século IV a.C., mas é de citar um exemplar de grande riqueza hoje no Museu do Louvre, oriundo da Ática, sugerindo práticas avançadas nesse terreno já durante o Classicismo. Elementos de terracota na decoração arquitetural tiveram grande uso nos períodos anteriores e posteriores, mas no Classicismo foi surpreendentemente raro. Um gênero que merece uma nota aqui é o das estatuetas de terracota com membros articulados. Este grupo parece ter desempenhado funções específicas. Foram encontradas em muitas tumbas, sugerindo uma associação com as divindades ctônicas. Também se especula que tenham servido como estátuas de culto doméstico, como oferenda aos deuses, e como proteção mágica contra forças maléficas. Muitas delas possuem orifícios na parte posterior da cabeça, indicando que podiam ser usadas suspensas, o que propiciava o movimento livre de seus membros. Já se pensou que fossem bonecas infantis, mas sua fragilidade, impedindo o manuseio repetido, não parece apoiar esta suposição. Quanto às estatuetas votivas, se observa grande interpenetração de estilos em especial no Classicismo Tardio, quando traços nitidamente arcaicos continuam aparecendo em quantidade, lado a lado com elementos estilísticos mais progressistas, acompanhando as convenções da estatuária de culto monumental.[54][55][56][57]

Ourivesaria

Em acréscimo, pode-se falar da ourivesaria como uma técnica de escultura miniaturizada, onde houve significativa produção principalmente nas colônias da Magna Grécia, Chipre e do sul do Mar Negro, sendo raros os achados na Grécia continental. A maior parte da ourivesaria dessa fase está relacionada a contextos religiosos, decorando estátuas de culto ou sendo ofertas votivas, ou celebratórios, como no caso das coroas de ouro usadas na apoteose de políticos, mas o uso de jóias pessoais não era incomum. Sua qualidade, ainda que elevada, mostra ser menor do que a joalheria do período Arcaico. Os motivos representados são em geral abstratos, animais e vegetais, e a popularização de formas humanas acontece no final do período Clássico, junto com o aparecimento dos primeiros camafeus.[58]

Cópias e Cor

Ver artigo principal: Bunte Götter
Cópia de torso clássico com tentativa de reconstituição da policromia original. Exposição Bunte Götter.

Para finalizar, sempre que falamos de estatuária grega antiga é preciso alertar o leitor de que o que vemos hoje nos museus são relíquias desfiguradas. Primeiro porque boa parte da estatuária de referência, as obras modelares monumentais, ou estão reduzidas a pedaços ou só são conhecidas através de cópias romanas. Em muitas delas a qualidade técnica do acabamento deixa a desejar, e não sabemos exatamente que grau de fidelidade mantiveram em relação à forma de seus modelos, embora se presuma que em linhas gerais temos testemunhos fidedignos. Mas mais importante do que isso para seu efeito final e a leitura da obra é sua superfície atualmente desprovida de cor. A prática corrente dos gregos antigos era cobrir suas estátuas e relevos arquiteturais com pintura, seja em parte seja na totalidade, buscando uma semelhança ainda mais marcante do que sua simples forma e estrutura poderiam conseguir. Durante séculos se julgou que suas obras apareciam para eles como aparecem hoje para nós, mas a verdade é que elas eram ricamente coloridas, causando um efeito que hoje, pela falta de costume e de conhecimento, julgaríamos no mínimo estranho. Entretanto, os estudos sugerem que no Classicismo o uso da cor na escultura era mais discreto do que em perídos anteriores. Recentemente pesquisadores têm tentado reconstruir a policromia das estátuas em cópias especialmente fabricadas para isso, e seus resultados são fascinantes e surpreendentes.[51][59][60][61]

Por outro lado, de grande valor para a reconstituição do panorama da escultura grega são as cópias em miniatura, que eram extremamente populares e replicavam em ponto menor praticamente todos os modelos formais e todas as obras importantes da estatuária monumental, uma prática que não se limitou ao período Clássico. Curiosamente, alguns temas de grande sucesso que foram copiados várias vezes em seu tamanho original não se encontram em miniaturas, como é o caso do Doríforo de Policleto. Talvez a ausência de achados seja simples coincidência, mas pode ser que obras como essa estivessem tão carregadas de significado que sua redução teria parecido inadequada. Os materiais usados para miniaturização eram o bronze, o mármore, o marfim e eventualmente outras pedras. A terracota, apesar de sua versatilidade, não parece ter sido considerada um material digno para a reprodução de obras célebres, pelo menos não durante o Classicismo.[62]

Legado e perspectivas

Dizer que a arte grega clássica exerceu vasta influência ao longo de toda história do Ocidente já é um lugar comum, esse conhecimento é dado de forma genérica nas escolas e é um consenso também entre os especialistas, não é preciso entrar aqui em detalhe, nem é possível fazê-lo num resumo histórico como este, dada a imensa complexidade do assunto, e cabe apenas um sucinto retrospecto. Até porque seu impacto sobre o Oriente Próximo e a Roma Antiga, na mesma época de seu florescimento, sobre o norte da África e Oriente Médio através do Helenismo, e sobre a Renascença, o Romantismo, Neoclassicismo e o início do século XX, deixou amplo e largamente acessível testemunho para todos, tanto nas artes visuais como em outros campos da atividade humana. Assim, sua importância está além de qualquer dúvida, e sua própria denominação - clássica - indica o status que adquiriu, pois na linguagem corrente clássico é aquilo que estabelece uma medida pela qual outras coisas daquele gênero são avaliadas.[63]

A escultura clássica foi em sua origem uma das alavancas para o nascimento da Estética como ramo autônomo da Filosofia, e ao longo da história seus modelos formais foram usados para propósitos os mais variados, alguns nobres e de elevada inspiração humanista, mas às vezes opostos a isso, celebrando regimes totalitários e personalismos de várias espécies, como aconteceu durante o Nazismo e o Fascismo. A ideologia subjacente à escultura do Classicismo grego não estava, na apreciação moderna, diga-se, isenta de problemas éticos, pois glorificava um estilo de vida e um povo em detrimento dos demais, e o coletivo em detrimento do indivíduo, suprimindo questionamentos da ordem instituída sob um manto artificial de homogeneidade e consenso. A execução de Sócrates, acusado de impiedade e corrupção de jovens, pela mesma sociedade que cultivou o Classicismo, alerta para a perversão e má interpretação que podem sofrer os propósitos positivos de melhoramento e educação da coletividade para uma cidadania mais plena, uma vida mais pura e harmoniosa e uma ética mais avançada, que a escultura clássica ilustrou tão bem e que até hoje estão entre os objetivos mais básicos de qualquer sistema de educação que mereça este nome, mas por outro lado espelha a inescapável imperfeição de qualquer empresa humana e a tendência à exclusão das diferenças daquele período.[49][64][65][66][67][68][69][70][71]

Leocarés: Apolo Belvedere, cópia romana. Museus Vaticanos.

O Classicismo iniciou sua difusão pelo mundo através das colônias gregas espalhadas em toda orla do Mediterrâneo e do Mar Negro, e Alexandre, o Grande o levou mais além, chegando à Índia. Nessas regiões os princípios da escultura grega foram apresentados às populações locais e, mesclando-se às suas tradições, deram origem a interpretações estilísticas que reproduziam com maior ou menor sucesso a estética metropolitana, e a essa síntese eclética cosmopolita se deu o nome genérico de Helenismo.[72] A Roma Antiga, por outro lado, foi uma ávida receptora da cultura grega clássica. Seus escultores se orgulhavam de trabalhar sob a inspiração grega, e deixaram um vasto acervo de obras em que os modelos clássico e helenista são imediatamente reconhecidos. Ao mesmo tempo, transmitiram para a posteridade muito do que receberam da Grécia, agindo como preservadores de um legado que talvez pudesse ter-se perdido sem seu concurso.[73] Dali o Cristianismo primitivo tirou os modelos para iniciar sua própria arte, mas depois do século VI d.C. sua política muda e ele se torna o mais feroz adversário da escultura antiga, infligindo-lhe um golpe devastador. É quando a imensa maioria das obras que ainda sobreviviam dos tempos antigos, e eram inumeráveis, se destrói, vistas como imorais pela sua preferência pela representação do nu, além de serem condenadas como uma relíquia do sistema pagão. Por outro lado, durante o Renascimento o modelo clássico foi o fulcro de uma recuperação da dignidade do corpo e do prazer puramente estético, e o próprio Cristianismo, depois de proscrever por séculos a herança artística pagã, a recupera, transformando-a e adaptando-a para serví-lo e louvar os heróis da nova ordem: os santos e mártires da fé. O Classicismo retorna à cena com vigor, e a concepção renascentista de arte reproduz quase literalmente a idéia formulada pelos filósofos clássicos.[65][66] O prestígio que a estatuária clássica conheceu nesse período chegou às raias da paixão, como se percebe neste trecho de Giovanni Pietro Bellori:

"Os pintores e escultores, escolhendo entre as belezas mais elegantes do mundo natural, aperfeiçoam a Idéia, e seus trabalhos superam e permanecem acima da Natureza - o que é o escopo último dessas artes (…) Esta é a origem da veneração e assombro que temos para com os homens a respeito de estátuas e pinturas, e disso deriva a recompensa e a honra dos Artistas; esta foi a glória de Timantes, Apeles, Fídias e Lisipo, e de tantos outros renomados pela fama, todos os que, se elevando acima das formas humanas, conseguiram com suas Idéias e obras uma perfeição admirável. Esta Idéia pode ser, então, chamada de a perfeição da Natureza, o milagre da arte, a clarividência do intelecto, o exemplo da mente, a luz da imaginação, o sol nascente, que do leste inspira a estátua de Menon, e inflama o monumento de Prometeu".[74]

Para os românticos, especialmente na Alemanha, a Grécia continuou sendo vista como um modelo de vida e cultura. Nietzsche exclamou: "Oh, os gregos! Eles sabiam como viver!". Outros eruditos, na mesma linha, desprezaram a tradição romana e passaram a cultivar a grega clássica em uma extensão tal que se criou uma verdadeira grecomania, influindo em todas as humanidades e formas artísticas.[75] No Neoclassicismo o humanismo clássico foi um impulso não insignificante para a implementação de conceitos democráticos e republicanos. Na apreciação de Winckelmann, um dos mentores do movimento, parecia que apenas os gregos haviam conseguido produzir beleza, e para ele e seus companheiros o Apolo Belvedere era a mais perfeita realização da escultura de todos os tempos. A ele também se deve a distinção entre Alto Classicismo e Classicismo Tardio, qualificando o primeiro como "grandioso e austero", e o segundo como "belo e fluente". Enquanto isso, o Classicismo atravessava o Atlântico e inspirava a formação do Estado norteamericano e sua escola de escultura.[76][77][78][79] No início do século XX os modelo educativo clássico começa a perder vigor sob o impacto da revolução modernista, e a capacidade da escultura clássica de inspirar os novos artistas precipita-se em fulminante declínio, até quase extinguir-se, ao mesmo tempo em que os estudos acadêmicos sobre ela se multiplicam e se refinam a níveis inéditos com o desenvolvimento de novos métodos de pesquisa arqueológica e o aperfeiçoamento do aparato teórico e instrumental.[80]

Hoje os padrões formais da escultura clássica grega, seu humanismo e a sua ênfase no nu encontram um novo modo de impressionar a sociedade na concepção contemporânea de Beleza e nas práticas relativas ao corpo, ressuscitando um cultivo do físico que nasceu com os gregos e influenciando vários costumes ligados à sexualidade e o conceito de corpo na cultura de massa. Pesquisas confirmam que pessoas cujos corpos se aproximam do padrão de Policleto atualmente são escolhas preferenciais na busca por parceiros, apesar de apenas uma reduzida parte da humanidade na prática se encaixar nesse padrão. Embora obviamente os gregos não sejam responsáveis pela evolução do tipo físico da raça humana, para um ser cultural e mental como o homem os aspectos puramente biológicos não são determinantes absolutos, e é possível que a herança clássica, arraigada seja no inconsciente coletivo dos ocidentais seja em sua consciência ativa, esteja a influenciar modernamente uma seleção "natural" em direção a um modelo corporal estabelecido pelos escultores clássicos, mas as causas porque isso esteja acontecendo agora não são claras.[65][81][82]

Autor desconhecido: Hermes ingenui, cópia romana. Museus Vaticanos.

Ao mesmo tempo começa a se fortalecer entre a crítica de arte uma tendência na direção de abater o prestígio praticamente unânime que o Modernismo conquistou e manteve por quase um século, estabelecendo práticas que continuam na contemporaneidade, e seus valores individualistas, herméticos, irracionais, abstratizantes, anti-históricos e informais começam a ser revisados. Nesse sentido, o modelo clássico pode ter um novo atrativo para os artistas e a sociedade num contexto de atualização da paideia, resgatando-se uma linha de trabalho inspirada no humanismo clássico, voltada para o bem comum e a educação ética e integral do público para o qual suas obras se dirigem, num momento histórico em que a ênfase na tecnologia, junto com o consumismo, a excessiva especialização dos ofícios, a selvagem vida urbana, os problemas ecológicos, a superficialidade da cultura de massa e a perda de referências morais fortes, se tornam aspectos ameaçadores para o bem estar e a própria sobrevivência da raça humana. Significativamente, o tema do XX Congresso Mundial de Filosofia organizado pela International Federation of Philosophical Societies em Boston em 1998 foi Paideia educating Humanity (A Paideia educando a Humanidade). O Pós-modernismo ensaiou uma releitura sobre a arte clássica, mas reconhecia que qualquer apropriação de princípios antigos é seletiva, contaminada por preconceitos históricos e contextuais, e jamais inocente, mas que podia lançar uma luz útil para a contemporaneidade se adaptada para os novos tempos. A esse respeito, não deixa de ser intrigante o fato de que a escultura clássica seja hoje em dia mais largamente apreciada e estudada do que em qualquer outro período histórico, mas se reflita tão pouco na arte produzida agora. Paralelamente, aspectos da vida contemporânea como o turismo cultural para museus e sítios arqueológicos têm sido vistos como forças positivas na divulgação da cultura e da arte clássicas para o grande público, embora sua eficiência seja incerta, possa sofrer manipulação política e degradação mercantilista, e dar margem a racionalizações institucionais simplistas e acríticas sobre o passado. Essas implicações são, é certo, polêmicas.[83][84][85][86][87][88][89][90][91]

De qualquer forma a presença da escultura clássica ainda é marcante; as objeções contra seu alegado elitismo e dogmatismo estético e ideológico que recebeu em especial em tempos recentes contribuem para evidenciar sua posição destacada e confirmar que ainda é uma força ativa no cenário cultural moderno. Ela se espalhou por uma grande área do globo, atravessou mares, e persiste viva na atualidade, atraindo milhões de visitantes por ano nos museus onde é exibida e alimentando inumeráveis estudos acadêmicos e publicações, e seu fascínio se explica em essência por um único e simples fato: sua semelhança com o homem real. Enquanto os homens se parecerem como se parecem hoje, a escultura grega há de permanecer uma referência tão óbvia quando ver sua imagem refletida num espelho, e tão importante quanto encontrar um retrato que enalteça seus pontos mais positivos e sugira um ideal válido a ser perseguido, e o faça com habilidade consumada. Outras culturas e outras raças têm seus protótipos específicos e seus modelos ideais, igualmente merecedores de aplauso e respeito, não cabe aqui fazer uma apologia da "superioridade" de um grupo e um estilo que na verdade é apenas mais um na rica e diversificada comunidade dos humanos. Mas pelo menos no que diz respeito ao homem branco ocidental, o reiterado apelo que o modelo clássico tem exercido sobre si ao longo de sua história atesta cabalmente a largueza e profundidade de seu significado. Retirando-o do próprio homem e a ele devolvendo-o magnificado e sublimado, sejam quais forem os usos ou abusos que se fizeram ou se hão de fazer desse modelo, conforme a sabedoria ou a loucura dos tempos, o mérito de sua "invenção" cabe aos gregos clássicos.[65][92]

A herança clássica na história da escultura

Ver também

Referências

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