Furacão Daniel (2006)

Disambig grey.svg Nota: Se procura outros ciclones tropicais chamados Daniel, veja Furacão Daniel.
Furacão Daniel
Categoria 4 (EFSS)
O furacão Daniel perto de seu pico de intensidade
Formação 16 de Julho de 2006
Dissipação 26 de Julho de 2008
Vento mais forte (1 min) 130 nós (241 km/h, 150 mph)
Pressão mais baixa 933 hPa (mbar) ou 700 mmHg
Danos Desconhecido
Fatalidades Nenhuma
Áreas afetadas Havaí
Parte da
Temporada de furacões no Pacífico de 2006

O furacão Daniel foi o segundo furacão mais forte a se formar no Oceano Pacífico nordeste durante a temporada de furacões no Pacífico de 2006. Sendo o quarto sistema nomeado da temporada, Daniel formou-se uma onda tropical em 16 de Julho próximo da costa do México. Daniel moveu-se para oeste, intensificando continuamente para alcançar o pico de intensidade com ventos constantes de 240 km/h em 22 de Julho; neste momento, o ciclone lembrava as características de um furacão anular. Daniel enfraqueceu-se gradualmente assim que entrou em águas mais frias e numa área com ventos de cisalhamento e depois de entrar na área de responsabilidade do Centro de Furacões do Pacífico Central, o sistema enfraqueceu-se rapidamente, degenerando-se numa área de baixa pressão remanescente em 26 de Julho. Depois de previsões que o ciclone iria passar através das Ilhas Havaí como uma tempestade tropical, os remanescentes de Daniel passaram ao sul de Big Island entes de se dissipar. A tempestade trouxe precipitação moderada a forte para as ilhas de Havaí e Maui, embora não se tenha registrado danos.

História meteorológica

O caminho de Daniel

Uma onda tropical deixou a costa ocidental da África em 2 de Julho. A onda cruzou sobre o Oceano Atlântico e o Mar do Caribe com poucas áreas de convecção associadas e em 12 de Julho, a onda cruzou a América Central e entrou na bacia do Oceano Pacífico nordeste. As áreas de convecção aumentaram em 13 de Julho e dois dias depois, o sistema começou a mostrar sinais de intensificação ao sul do México.[1] O sistema seguiu para oeste a cerca de 25 km/h e em 16 de Julho, o sistema tornou-se mais organizado.[2] Com bandas de chuva convectivas ao norte e ao sul da circulação de baixos níveis,[3] é estimado que a onda tropical desenvolveu uma depressão tropical no final de 16 de Julho a cerca de 845 km a sul-sudoeste de Manzanillo, México.[1]

Classificada como a depressão tropical Cinco-E, o sistema seguiu para oeste por estar ao sul da porção oeste de uma alta subtropical de médios níveis.[3] Nas horas após a formação da depressão, o sistema não apresentava áreas de convecção profunda perto de seu centro. As condições favoreciam o desenvolvimento, incluindo temperatura morna da superfície do mar, quantidades muito baixas de ventos de cisalhamento e um anticiclone bem estabelecido sobre a depressão,[4] As áreas de convecção tornaram-se mais centralizadas, coincidindo com a melhora dos fluxos externos de altos níveis e estes tornaram-se mais simétricos. Baseado em números Dvorak que indicavam a formação de tempestade tropical, é estimado que a depressão intensificou-se na tempestade tropical Daniel por volta de 12:00 UTC de 17 de Julho.[5] daneil rapidamente ficou mais organizado, que inclui o aumento das áreas de convecção profunda e de bandas de chuva.[6] Um centro denso nublado formou-se e ao mesmo tempo uma banda de chuva bem definida envolveu o centro da circulação.[7] Baseado na formação de uma estrutura semelhante a um olho,[8] o Centro Nacional de Furacões classificou Daniel como um furacão no final de 18 de Julho enquanto estava localizado a cerca de 1.420 km ao sul-sudoeste de Cabo San Lucas.[1]

Imagem animada do Furacão Daniel no seu pico de intensidade

Em 19 de Julho, o olho de Daniel ficou mais aparente em imagens de satélite,[9] que tornou-se um olho "buraco de agulha".[10] O furacão sofreu um ciclo de reposição da parede do olho assim que Daniel começou a seguir para oeste-noroeste, que interrompeu temporariamente a tendência de fortalecimento do furacão. Após isso, Daniel começou a se fortalecer rapidamente, alcançando a força de um grande furacão em 20 de Julho.[1] Mais tarde, o furacão Daniel tornou-se um ciclone muito simétrico com um olho distinto de cerca de 50 km de diâmetro, após atingir a força de um furacão de categoria 4 na escala de furacões de Saffir-Simpson. Neste momento, o furacão lembrava um furacão anular.[11] Em 21 de Julho, a depressão sofreu outro ciclo de substituição da parede do olho e após completar este ciclo, Daniel alcançou o pico de intensidade com ventos constantes de 240 km/h no começo da madrugada de 22 de Julho a cerca de 2.175 km a sudoeste de Cabo San Lucas. Após manter este pico de intensidade por cerca de 18 horas, Daniel começou a se enfraquecer continuamente assim que o sistema seguia sobre águas progressivamente mais frias.[1] O olho ficou mais distinto em 23 de Julho[12] antes dos topos das nuvens se aquecerem novamente e os ventos diminuírem.[13]

O furacão adentrou a área de responsabilidade de previsões do Centro de Furacões do Pacífico Central em 24 de Julho[1] e logo após seu olho desapareceu em imagens de satélite. Foi previsto que Daniel iria seguir uma trajetória através das Ilhas Havaí como uma tempestade tropical; as águas pertos das ilhas estavam mais quentes,[14] e era esperado que os ventos de cisalhamento iriam diminuir.[15] No entanto, Daniel desacelerou-se assim que a alta subtropical ao seu norte enfraqueceu-se e, devido à combinação de águas frias e num aumento dos ventos de cisalhamento orientais, Daniel enfraqueceu-se para uma tempestade tropical em 25 de Julho.[1] Depois, não havia áreas de convecção ativas perto do centro da circulação exposta e no começo da madrugada de 26 de Julho, o sistema enfraqueceu-se para uma depressão tropical. As áreas de trovoadas falharam em se desenvolver novamente e Daniel degenerou-se numa área de baixa pressão remanescente por volta da meia-noite de 27 de Julho a cerca de 1.290 km a leste-sudeste de Hilo, Havaí. A área de baixa pressão remanescente continuou a seguir para oeste-noroeste, passando logo ao sul da Ilha Havai em 28 de Julho antes de se dissipar.[15]

Impactos

Imagens de satélite mostrando a área de baixa pressão remanescente de Daniel perto do Havaí

Foi previsto que Daniel iria passar pelas Ilhas do Havaí como uma tempestade tropical. As autoridades do estado e do Condado de Havaí recomendaram aos residentes a prepararem kits de emergência, como estocar alimentos não perecíveis e baterias. Por causa da tempestade estar a vários dias de distância do arquipélago, alguns residentes apressaram-se em se preparar para a chegada do furacão.[16] O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos em Honolulu emitiu um aviso de ondas fortes para as praias orientais do Havaí e alertaram os usuários das praias a manterem-se longe das águas.[17] Além do mais, o Serviço Nacional de Meteorologia emitiu um alerta de enchente de curta duração assim como um alerta de ventos fortes em associação aos remanescentes de Daniel.[18]

Os remanescentes de Daniel causaram chuvas que chegaram a 50–125 mm para as áreas orientais da Ilha Havai e Maui em 28 de Julho durante aquele dia.[15] Em West Wailuaiki, em Maui, a precipotação acumulada chegou a 98,3 mm em um dia. Esta medida foi a maior associada aos remanescentes de Daniel[19] A precipitação foi Benéfica em Maui, onde as chuvas aliviaram a estiagem na bacia do East Maui.[20] A chuva, particularmente em Kailua-Kona na Ilha Havaí, causou o alagamento de rodovias, assim como pequenas enxurradas. No entanto, não houve feridos graves e também não foram relatados danos.[21] Uma estação meteorológica em Ka Lae registrou por um breve período ventos constantes de 55 km/h com rajadas de 75 km/h.[15]

Durante a 61ª Conferência Interdepartamental de Furacões, a Defesa Civil do Havaí pediu a retirada do nome Daniel, citando que a tempestade tornou-se memorável devido à ameaça ou os danos.[22] No entanto, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) não aprovou o pedido e o nome será usado novamente na temporada de 2012.[23]

Ver também

Referências

  1. a b c d e f g Jack Beven (2006). «Hurricane Daniel Tropical Cyclone Report» (PDF). National Hurricane Center (em inglês). Consultado em 18 de julho de 2007 
  2. Stewart & Rhome (2006). «July 16 Tropical Weather Outlook». National Hurricane Center (em inglês). Consultado em 18 de julho de 2007 
  3. a b Beven (2006). «Tropical Depression Five-E Discussion One». National Hurricane Center (em inglês). Consultado em 29 de julho de 2007 
  4. Pasch (2006). «Tropical Depression Five-E Discussion Two». National Hurricane Center (em inglês). Consultado em 29 de julho de 2007 
  5. Stewart (2006). «Tropical Storm Daniel Discussion Three». National Hurricane Center (em inglês). Consultado em 29 de julho de 2007 
  6. Mainelli & Avila (2006). «Tropical Storm Daniel Discussion Five». National Hurricane Center (em inglês). Consultado em 29 de julho de 2007 
  7. Pasch (2006). «Tropical Storm Daniel Discussion Six». National Hurricane Center (em inglês). Consultado em 29 de julho de 2007 
  8. Rhome & Stewart (2006). «Hurricane Daniel Discussion Eight». National Hurricane Center (em inglês). Consultado em 29 de julho de 2007 
  9. Stewart and Brown (2006). «Hurricane Daniel Discussion Eleven». National Hurricane Center (em inglês). Consultado em 28 de dezembro de 2007 
  10. Stewart and Brown (2006). «Hurricane Daniel Discussion Twelve». National Hurricane Center (em inglês). Consultado em 28 de dezembro de 2007 
  11. Brown (2006). «Hurricane Daniel Discussion Sixteen». National Hurricane Center (em inglês). Consultado em 28 de dezembro de 2007 
  12. Brown & Stewart (2006). «Hurricane Daniel Discussion Twenty-Seven». National Hurricane Center (em inglês). Consultado em 28 de dezembro de 2007 
  13. Brown & Stewart (2006). «Hurricane Daniel Discussion Twenty-Eight». National Hurricane Center (em inglês). Consultado em 28 de dezembro de 2007 
  14. Houston (2006). «Hurricane Daniel Discussion Thirty-One». Central Pacific Hurricane Center (em inglês). Consultado em 28 de dezembro de 2007 
  15. a b c d Central Pacific Hurricane Center (2006). «Overview of the 2006 Central North Pacific Tropical Cyclone Season» (em inglês). Consultado em 28 de dezembro de 2007 
  16. Rod Thomson (25 de julho de 2006). «Weakening Hurricane Daniel still a concern for Big Isle». Honolulu Star-Bulletin (em inglês). Consultado em 29 de dezembro de 2007 
  17. NASA (2006). «Hurricane Season 2006: Daniel (Eastern Pacific)» (em inglês). Consultado em 29 de dezembro de 2007 
  18. Honolulu National Weather Service (2006). «July 2006 Tropical Weather Statements» (TXT) (em inglês). Consultado em 29 de dezembro de 2007 
  19. Kevin R. Kodama (2006). «July 2006 Hawaii Precipitation Summary» (em inglês). Consultado em 29 de dezembro de 2007  Texto "Honolulu National Weather Service" ignorado (ajuda)
  20. Edwin Tanji (29 de julho de 2006). «Trades dissipate remnants of Daniel». Maui News (em inglês). Consultado em 29 de dezembro de 2007 
  21. National Climatic Data Center (2006). «Event Report for Hawaii» (em inglês). Consultado em 29 de dezembro de 2007 
  22. Interdepartmental Hurricane Conference (2007). «The Nation's Hurricane Program: An Interagency Success Story» (PDF) (em inglês). Consultado em 29 de dezembro de 2007 
  23. Dennis H. McCarthy (2007). «National Weather Service Instruction Tropical Cyclone Names and Pronunciation Guide» (PDF) (em inglês). Consultado em 29 de dezembro de 2007 
Ciclones tropicais da Temporada de furacões no Pacífico de 2006
Escala de Furacões de Saffir-Simpson
DT TS TT 1 2 3 4 5



* Pacífico centro-norte
SN - Sem nome

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